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Memórias de uma Gueixa
Título original: Memoirs of a Geisha
Realização: Rob Marshall
Intérpretes: Zhang Ziyi, Ken Watanabe, Michelle Yeoh, Kôji Yakusho, Kaori Momoi, Youki Kudoh, Gong Li, Kenneth Tsang, Suzuka Ohgo
Estados Unidos, 2005
Estreia: 26 de Janeiro de 2006
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João Lopes | Média dos Espectadores |
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A história começa nos anos que antecedem a II Guerra Mundial, quando uma criança japonesa é arrancada à sua miserável família para ir trabalhar como serva numa casa de gueixas.
Apesar de uma rival traiçoeira, que quase quebra o seu espírito, a criança desabrocha, transformando-se na lendária gueixa Sayuri. Bela e muito dotada, Sayuri cativa os homens mais poderosos do seu tempo mas é assombrada pelo seu amor secreto por um homem fora do seu alcance...
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Nomeações para os Oscars (6)
* MELHOR DIRECÇÃO ARTÍSTICA, John Myhre (direcção artística) e Gretchen Rau (cenografia)
* MELHOR FOTOGRAFIA, Dion Beebe
* MELHOR GUARDA-ROUPA, Colleen Atwood
* MELHOR BANDA SONORA, John Williams
* MELHOR SOM, Kevin O`Connell, Greg P. Russell, Rick Kline e John Pritchett
* MELHOR MONTAGEM DE SOM, Wylie Stateman |
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João Lopes
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| Que pena... Um belíssimo romance (de Arthur Golden), sobre o mundo interior das gueixas, reduzido a uma parada de «valores» de produção que reflectem o poder da indústria, mas a que falta sempre uma visão capaz de lhes conferir alguma coerência dramática ou apelo emocional. |
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Thamires Suellen dos santos |
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| Ah! Só meio meio estranho os olhos azuis da garota,mas parecia que não eram lentes, apesar de saber que dificilmente um oriental teria os olhos claríssimos. Mas ficou lindo!! |
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Thamires Suellen dos Santos (thamy_matraca@hotmail.com) |
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O filme tinha a atmosfera lírica e formato de fábula, pois era essa a senção que queriam passar, por exemplo: Nas partes como o jardim em que ela em contra o presidente, são as partes mais coloridas e delicadas pois demonstram a felicidade em que Sayuri se encontrava.Parece sim uma Cinderela Oriental,dando uma dramaticidade ótima, não achei exagerado o romantismo e "altos e baixos" da personagem principal.
Achei o final surpreendente. Muita gente achou o final inverossímel, devido o decorrer dramático,alengando que o "resultado" seria menos catastrófico se ele tivesse termindado na meia hora final,quando Sayuri aparentemente perde o amor de sua vida.Mas eu gostei do final, justamente por isso, eu já esperava que terminasse "mal"(não consideraria ele ruim se terminasse assim, continuaria fascinada).A trilha sonora é ótima e as atuações principais também.Adorei as "vilãs" da trama, Gong Li como a invejosa e pacional Hatsumomo e Youki Kudoh com a jovem inicialmente "inocente" despois vulgar e vingativa Abóbora. A atuação de Ziyi Zhang, foi ótima também; de adolescente ingênua conseguiu mostrar o crescimento e amadurecimento de sua personagem sem tirar a sutileza e delicadeza de sua essência.
Considerando que:O longa não pôde ser feito não Japão porque não havia partes intocadas pela modernidade e "ocidentalidade",não encontraram uma atriz japonesa que se encaixase no papél,a intenção não era mostrar a realidade do cotidiano de Gueixas e o filme era hollywoodiano portanto foi feito para facinar os olhos e encher bilheterias.
O filme, na minha opinião seguiu a regra de um livro com Apresentação, desenvolvimento e conclusão, seguiu as regras de hollywood SEM ser tão estúpido de artificial.Pontos fracos e existem bastante, como o inglês falado com sotaque.Mas alcançou seu objetivo.
Um ótimo filme sentimentalista.
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Eliana Neves |
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| após a leitura de todas as críticas apercebi-me que de facto, pouco ou nada entendeo de cinema. de facto gostei do filme, nao achei minimamente entediante, possui claramente falhas mas não me pareceu excessivamente melodramático. É no meu ver bastante superior a Chicago e absolutamente recomendável, nem que seja pela sumptuosidade técnica. |
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Isadora Amaral |
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| Um excelente filme! Começei a vê-lo sem muita expectativa mas me surpreendi. Fotografia impecável, linda trilha sonora e uma delicadeza e suavidade mágica! Apenas um pequeno defeito..Uma cultura tão linda como a japonesa substituindo dua língua mãe por inglês. Golpe de mestre pois a aceitação nos estados unidos melhora mas em minha concepção tirou um pouco do brilho do filme! |
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joao_nogueira@portugalmail.pt |
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Todo o imaginário da cultura japonesa em geral e do microcosmos das gueixas em particular é infelizmente aqui tratado debaixo do pesado martelo e escorpo do ponto de vista ocidental (leia-se americano) e banalizado numa história com a complexidade de uma novela venezuelana. O que salva este filme ao ponto de considerar recomendável uma deslocação ao cinema? Acima de tudo a fotografia (imagens lindíssimas e bem enquadradas), a beleza oriental (apesar de nenhuma delas ser japonesa) das três actrizes principais (que acaba por disfarçar alguma falta de solidez das personagens), a eficácia de um guarda-roupa deslumbrante e uma direcção artística brilhante... o que sendo muito não chega ara satisfazer. Uma oportunidade perdida!
http://frameaframe.blogspot.com
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gonn1000@hotmail.com |
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MULHERES APAIXONADAS
Em 2002, a primeira longa-metragem (ou segunda, se se contar com o telefilme “Annie”) de Rob Marshall, “Chicago”, foi a grande vencedora da edição dos Óscares, arrecadando seis estatuetas douradas, entre as quais a de Melhor Filme.
Alguns viram na película uma irreverência e energia capazes de dinamizar o renascimento do musical, género que, salvo raras excepções (de que “Moulin Rouge”, de Baz Luhrmann”, até foi um exemplo mais conseguido), já não possui o fulgor de outros tempos, mas “Chicago” não era mais do que um produto razoavelmente confeccionado, com alguns atributos técnicos embora desprovido de intensidade emocional.
“Memórias de uma Gueixa” (Memoirs of a Geisha), o novo filme do realizador, apesar de globalmente superior à sobrevalorizada obra antecessora, evidencia semelhantes qualidades e defeitos, tentando seduzir por um excesso de pompa e circunstância mas voltando a apresentar uma carga dramática gerida de forma desequilibrada.
Adaptação do livro homónimo de Arthur Golden, a película narra o percurso de uma jovem que é preparada desde criança para se tornar numa gueixa, sendo enraizada nas múltiplas práticas que a farão agradar aos homens, contudo ao longo desse processo de aprendizagem a protagonista terá de lidar não só com a reduzida autonomia a que a sua condição feminina a sujeita (a acção decorre no Japão de vésperas da II Guerra Mundial) mas também com as investidas de uma colega rival, que a atormenta na infância, adolescência e idade adulta.
Drama orientado por uma perspectiva feminina, “Memórias de uma Gueixa” é uma história vincada por sacrifícios, traições, desafios e amores aparentemente impossíveis, e se o filme pedia para ser um conto larger than life Rob Marshall nem sempre consegue fazer passar essa vertente, seguindo um registo demasiado formulaico e a espaços mesmo folhetinesco.
Apesar dos consideráveis valores de produção, que lhe concedem alguns dos seus pontos fortes – como o guarda roupa e cenários, que ajudam a uma coesa recriação da época -, da envolvente fotografia de Dion Beebe ou da sólida banda-sonora de John Williams, a película peca por um academismo preguiçoso que imprime poucas surpresas à narrativa e por uma construção de personagens que fica aquém do potencial, onde a complexidade dos conflitos humanos é subexplorada, resultado de figuras maioritariamente bidimensionais.
O trio de actrizes em ascensão constituído por Zhang Ziyi, Gong Li e Michelle Yeoh ajuda a que as três personagens femininas mais relevantes consigam ser mais do que belas e impenetráveis bonecas de porcelana, contudo a espontaneidade das suas prestações nem sempre é suficiente para fazer esquecer o aspecto demasiado fabricado de “Memórias de uma Gueixa”.
Rob Marshall gera um filme interessante de seguir e que nunca se torna cansativo (as quase duas horas e meia de duração não saturam), mas existia aqui substrato para uma obra de maior fôlego, mais misteriosa e absorvente, que mergulhasse a fundo nas singularidades destas intrigantes mulheres.
“Memórias de uma Gueixa”, ainda que marcado por sequências visualmente estimulantes e por um argumento competente, fica-se pela superfície, e mesmo que o balanço acabe por ser positivo isso está longe de se tornar memorável.
Gonçalo Sá
http://gonn1000.blogspot.com |
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João Pedro Eira |
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Segundo filme de Rob Marshall, depois do oscarizado mas inerte e vácuo Chicago. E se Memórias de uma Gueixa se apresenta como uma proposta interessante ao nível dos valores de produção, com direcção artística digna de nota, banda sonora adequada e fotografia competente, já ao nível dramático Marshall não parece ter crescido um milímetro desde Chicago. A realização revela uma completa falta de noção da gestão da narrativa, seja no enquadramento dos personagens na história ou na escolha do que facto é importante ou acessório. Marshall pode, é certo, queixar-se do argumentista, que atirou às urtigas a história de amor que havia para contar e resolveu escrever uma espécie de “manual do gueixismo” e a montagem, provavelmente encomendada a uma costureira incompetente, também não ajuda. Façamos votos para que, no caso de Rob Marshall, à terceira seja de vez, e a sua próxima tentativa produza algo, pelo menos, competente.
João Pedro Eira
Claquete - O cinema, cena a cena. |
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rui_esperanca@hotmail.com |
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“Memoirs of a Geisha” de Rob Marshall com Ziyi Zhang, Ken Watanabe, Michelle Yeoh e Gong Li
Dez anos antes da II Guerra Mundial, numa pequena aldeia do Japão, uma família miserável vende as suas duas filhas, sendo a mais nova mandada para uma casa de gueixas, e durante o seu crescimento, será deslumbrada, pela beleza e mistérios destas mulheres até se tornar uma delas, sendo este processo muito difícil especialmente devido à sua rival Hatsumono (a bela Gong Li), e ao facto de o único homem que ela deseja, ser o único que ela não pode ter.
Este filme sobressai devido à beleza exótica e misteriosa apresentada no quotidiano daquelas mulheres, e não só trata com todo o cuidado e honra essa mesma beleza como demonstra todas as dificuldades, pensamentos, desilusões e virtudes da personagem que este filme centra – Sayuri (a fabulosa Ziyi Zhang).
Steven Spielgerg rendeu-se ao livro homónimo de Arthur Golden e confiou a realização a Rob Marshall (famoso por Chicago), Marshall fez de facto um bom trabalho, fazendo um filme com muito valor histórico e sentimental ao acompanhar o dia-a-dia das Gueixas, mas tanta atenção foi virada para este lado, que houve pouco investimento na relação da personagem de Zhang com a de Ken Watanabe, sendo este o pior defeito do filme, a falta de química entre as duas personagens principais, e o pouco tempo de filme investido neles, sendo tudo adiado para o final, dando assim um fim um pouco fraco, com pouca emoção. O filme promete muito e no final oferece pouco.
Outra coisa também me ficou entranhada eu sei que se este filme fosse falado em japonês, nunca teria tido o sucesso e promoção que teve, mas acho um pouco confuso ver um filme passado no Japão, numa história japonesa, com personagens japonesas, falado em Inglês, principalmente, quando aparecem os solados americanos da II Guerra Mundial, e ver americanos e japoneses a falarem inglês juntos como língua naturalmente falada, é, de facto, muito confuso, (era impossível para os americanos poderem ver um filme com legendas…)
Mas “memórias de uma gueixa” tem milhentas outras virtudes, sendo uma delas também a fantástica e adequada banda-sonora (do sempre maravilhoso John Willams), a incrível fotografia, um dos principais factores da representação daquele mundo das gueixas, o guarda-roupa e outros factores menores…
Concluindo, este filme é uma agradável surpresa, para fazer uma pausa dos filmes altamente comercializados que competem este ano para os Óscares, este é um bom filme, para apreciadores de belas e simples histórias…
Rui Esperança |
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almeida_rita@sapo.pt |
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MEMOIRS OF A GEISHA
de Rob Marshall
Lamechas, aborrecido e previsível.
Na sala cheguei a pensar que a minha irritação se devia apenas a não me ter conseguido abstrair durante quase todo o filme da respiração incomodativa do senhor que se sentou ao meu lado. Mas agora, no silêncio, a má impressão permanece.
Eu já tinha visto o livro “Memórias de uma Gueixa” nas primeiras estantes das livrarias e nunca me senti seduzida por aquilo que me parecia uma leitura de Verão. Agora descubro que (ao contrário do que eu pensava quando estava a ver o filme), o autor é o americano Arthur Golden, que conta de ouvir dizer e que foi processado pela ex-gueixa de quem ele diz ter recolhido a informação para o livro. Este facto, aliado à produção Hollywoodesca de Rob Marshall (“Chicago”, 2002) justificam completamente a aura de falsidade que envolve este filme e que impede qualquer possibilidade de emoção.
Telegraficamente, “Memórias de uma Gueixa” conta a história de Chiyo (Suzuka Ohgo), a filha de um pobre pescador que, em 1929, é vendida para uma casa de gueixas (um género de animadoras sociais). A la Dickens ela é objecto da crueldade da gueixa mais importante da casa, Hatsumomo (Gong Li), que a vê como uma futura rival. É ainda na infância que um encontro com um gentil homem de negócios (Ken Watanabe) irá fazê-la decidir pela vida de gueixa. Já adolescente, Chiyo (Zhang Ziyi) é amadrinhada por Mameha (Michelle Yeoh), que a baptiza de Sayuri e que lhe ensina a arte, pelos seus próprios motivos pessoais.
As personagens não têm profundidade psicológica, não há conflitos dramáticos que captem o nosso interesse, os diálogos são pobres e ridículos (a metáfora sexual da cobra e da gruta ainda me causa arrepios), e tudo em inglês. Deus nos livre que os americanos tenham alguma vez de ver um filme com legendas!!! Mas também, num elenco de chineses, malaios e japoneses, talvez o inglês fosse de facto o denominador comum. (Mais um ponto a acrescentar a esta fantasia ocidental de uma Cinderela asiática: todos os orientais são iguais!) E vemos grande actores como Michelle Yeoh (“O Tigre e o Dragão”), Ken Watanabe (“Batman Begins”)e Gong Li (“A Tríade de Xangai”, “Hero”) castrados numa das suas ferramentas essenciais, a palavra. Quando à protagonista Zhang Ziyi (“Hero”, “O Segredo dos Punhais Voadores”, “2046”), de indiscutível beleza, tem ainda muito para aprender com no que a expressividade diz respeito, inclusivamente com a pequena Suzuka Ohgo que faz o papel de Chiyo na infância.
Mas há que dar a mão à palmatória, Rob Marshall percebe de sumptuosidade. Por isso junta a bela fotografia de Dion Beebe, o design de produção de John Myhre, o guarda-roupa de Colleen Atwood e a música de John Williams. Mas nem só de técnica se faz um filme. E, sem essência, isto é só cosmética, que na manhã seguinte está colada à almofada. Nada disto soa a verdade. É apenas uma bonita mentira, para quem quiser acreditar. Se ao menos mentisse melhor...
RITA ALMEIDA
http://cinerama.blogs.sapo.pt/ |
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ana_nunes89@yahoo.com |
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Realmente o filme não e nada de especial. É pena a história não ser minimente cativante, porque as imagens e a banda sonora são muito boas.
Mas o filme não se reduz a imagens e banda sonora, a história, como já disseram, não provoca qualquer tipo de emoção e não nos faz "puxar pela cabeça".
As 3 estrelas vêm mesmo das imagens, guarda-roupa e banda sonora. Porque de resto...deixa mesmo muito a desejar!
Ana Nunes |
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joanapadua@hotmail.com |
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Estas memórias pretendem transportar-nos para um antigo mundo; um mundo de valores e tradições que, ainda hoje, não compreendemos totalmente. E é precisamente a busca do Ocidente em conhecer, quiçá compreender mesmo, essas tradições que nos levam a este filme. Uma gueixa, mulher de sonho, misteriosa e.... E que mais?! Ficamos bem sem saber o que faz, o que pretende, o que visa realizar.
Sem dúvida que o filme tem momentos visuais fantásticos, uma banda sonora a acompanhar, mas pouco mais. Um filme que poderia prometer tanto e levar-nos para um novo mundo e que nos ficamos com um enorme vazio.... E aqueles olhos azuís?! Hummmmmm
Saudações cinéfilas,
Joana |
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Paulo Costa |
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Quando se estreou em 2002 com Chicago, Rob Marshall mostrou-nos um filme que, embora bastante sobrevalorizado (com direito a Oscar de Melhor Filme e tudo), funcionava de forma eficaz enquanto entretenimento, além de carregar consigo uma dose saudável de irreverência formal e temática. Por isso mesmo, torna-se algo surpreendente quando Memoirs of a Geisha nos surge como um falhanço tão escandaloso.
O filme é baseado no best seller de Arthur Golden e conta-nos a história da vida de uma gueixa, ou seja, uma mulher que desde muito jovem é treinada nas diversas artes de agradar aos homens. O método escolhido para abordar esta história tão enraizada na mais nobre tradição nipónica envolveu a recruta de um elenco maioritariamente chinês que até se expressa em inglês. Não que esse seja o maior problema do filme – A Lista de Schindler é falado em inglês e não é por isso que deixa de ser uma fabulosa obra-prima – mas contribui em grande parte para a sensação de que o filme foi demasiadamente hollywoodizado. Ou seja, apostou-se fortemente na sua componente visual – e é verdade que o filme é lindíssimo, com uma fotografia magnífica por parte de Dion Beebe, décors perfeitos... – e adaptou-se o argumento do filme ao mais preguiçoso formato da telenovela.
Dizer que Memoirs of a Geisha é um filme académico é dizer pouco. Isto porque há cinema académico feito com qualidade suficiente para lhe podermos encontrar alguns méritos. Mas Marshall parece ter aberto o Grande Livro do Cliché Cinematográfico e despejado tudo diante da tela. E quando tenta recuperar alguns dos méritos do seu primeiro filme, o realizador cai num buraco ainda maior do que aquele em que já antes se encontrava – exemplo: a montagem sem sentido da suposta grande cena do filme, em que a gueixa do título surpreende tudo e todos com as suas qualidades numa dança exótica, que parece desesperadamente evocar o ritmo das cenas musicais de Chicago e termina da mesma forma que o filme, ou seja, sem despertar o mínimo sentimento no espectador, se considerarmos que passar o tempo a olhar para o relógio não é um sentimento.
Não admira, portanto, que desde a sua estreia o filme tenha sido rebaixado pela maior parte da crítica americana, bem como tenha deixado de ser considerado um sério candidato a vencer prémios na próxima cerimónia dos Oscar. Não bastavam grandes nomes da interpretação do cinema oriental para bem contar esta história. Era necessário também fazê-la com alguma proximidade à cultura que representa, caso contrário é inevitável ignorar a sensação de artificialidade daquilo que nos é apresentado. Resta-nos imaginar como poderia ter sido bem melhor o mesmo filme com a assinatura de um realizador “da casa”, que se preocupasse mais em ilustrá-lo com genuíno sentimento do que em esconder o seu vazio com visuais pomposos e música em todo o lado (de referir também outros dos pouquíssimos pontos altos do filme, a banda sonora de John Williams) e uma narração monótona e demasiado explicativa.
E mesmo as próprias actrizes, que tão alto vimos brilhar em outras obras bem mais conseguidas, como por exemplo em filmes de Wong Kar-Wai (imaginem-se algumas sequências maravilhosas que ele seria capaz de criar para este filme), não conseguem esconder o desconforto de ter de usar o inglês para se expressar. Será mesmo assim tão difícil para o espectador médio norte-americano ver um filme com legendas? Como se não bastasse, pior é para o espectador quando no final confirma aquilo que já adivinhava desde o início do filme, numa das conclusões mais lamechas e desinteressantes do ano. Perfeitamente dispensável.
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duarteoliveira@hotmail.com |
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"Memoirs of a Geisha" de Rob Marshall
A prova de que excelentes e excelsos valores de produção não fazem, só por si, um bom filme. Neste caso específicico, só servem de cenário redundante para um melodrama de alguidar, chato e inconsequente, preguiçoso e entediante, e acompanhado de uma construção narrativa semelhante a uma telenovela de fraco propósito. Ficamos com as imagens bonitas de rostos bem aprazíveis, mas com um buraco emocional num profundo vazio dramático.
Duarte Oliveira
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