Precious

Título original: Precious: Based on the Novel Push by Sapphire
Título (Brasil):
Realização: Lee Daniels
Intérpretes: Gabourey Sidibe, Mo`Nique, Paula Patton, Mariah Carey, Sherri Shepherd, Lenny Kravitz
Estados Unidos, 2009
Estreia: 11 de Fevereiro de 2010


Eurico
de Barros
João
Lopes
Média dos
Espectadores
   
 
 
Em 1987 uma adolescente afro-americana, obesa e analfabeta, Claireece “Precious” Jones vive em Nova Iorque no bairro de Harlem com a sua família disfuncional. Violada pelo pai e grávida duas vezes pelo mesmo, vítima de constantes abusos físicos, psicológicos e sexuais exercidos pela própria mãe desempregada. Não bastasse a violência sofrida em casa, Precious ainda tem de encarar o preconceito dos colegas e uma extrema dificuldade em assimilar as lições que recebe na escola...

*****

* Seis nomeações para os Oscars 2010: Melhor Filme, Realização, Actriz Principal, Actriz Secundária, Argumento Adaptado e Montagem.







João Lopes
O Grande "marginal" dos Óscares

Produzido por Oprah Winfrey, realizado por Lee Daniels sobre o livro de Sapphire, é o objecto "marginal" na corrida dos Óscares (seis nomeações, incluindo Melhor Filme), simbolizando um espírito independente ligado à tradição realista de alguma produção nova-iorquina. Retrato íntimo de uma jovem abusada, é também um brilhante regresso ao modelo clássico de retrato psicológico.

(publicado originalmente no jornal Diário de Notícias a 11 de Fevereiro de 2010)



Fernando Lopes
Traslado veemente, simples e eficaz do livro de Sapphire, retornando a um modelo de antanho na caracterização psicológica, isto é, um realismo que elide a extensão ou prolongamento dramático até à exaustão – oblitera qualquer hiper-realismo. Apoia-se, pois, num andamento simplificado de imagens com pontos de incisão – cirúrgicos – situacionais na compreensão e explicação de Precious Jones socialmente intra-filme e aos espectadores. O conjunto, nunca perdulário narrativamente, torna-se um condensado quanto baste para nos colocar dentro da trama e sensibilizar-nos, tocar-nos, desvelando-nos o íntimo de uma jovem adolescente mãe violada e violentada no seio da própria família inteiramente desestruturada. Veemente e sincero, é, cromática e formalmente, interessante. Interpretações no geral irrepreensíveis. Num ou noutro momento, o filme revolve-nos emocionalmente.

nando.niro@gmail.com)


José Varela Franco
Um filme intenso e honesto, que surpreende ao nível das interpretações e que de vez enquando faz-nos esboçar um sorriso e por vezes uma gargalhada, porque mesmo durante uma vida cheia de desgraças sempre existe algo que nos provoca felicidade, nem que seja por uns momentos. Mo`Nique vai de certeza ganhar o óscar por uma composição no minimo notável como uma mãe opressiva e abusiva.

E MAIS IMPORTANTE DE TUDO: MARIA CAREY CONSEGUIU INTERPRETAR ALGO DE DECENTE.

Fez-se História.


JC
Como já escrevi em outros filmes, se isto é dos melhores filmes de 2009, então muito mal estamos nós no que respeita a cinema...é a minha opinião, convém sublinhar também. O filme tem uma história que não é nada de novo (a n ser o peso da actriz principal), simples de perceber, nada de comovente, pois se chorar a ver este filme, assim nunca mais podia ver o telejornal da TVI. Que muitas pessoas e famílias têm aqueles problemas já nós sabemos, infelizmente, mas não é agora por isso que o filme é bom só porque, coitados, há quem viva assim (infelizmente). Houve muita história (e já batida) e pouco cinema. Quase parecia um documentário, enfeitado com umas borboletas na imagem em algumas cenas...bem, eu não gostei muito, mas ainda bem que há gostos para tudo. Já agora, o filme fez-me lembrar aquela anedota: Um tetraplégico está sentado na sua cadeira á sua porta todos os dias, e sempre á mesma hora passa uma menina muito bonita e jeitosa, ao que o tetraplégico lhe diz sempre "Oh menina, levanta lá a saia para eu ver". A menina nunca responde, mas há um dia que uma vizinha ao aperceber-se da conversa lhe diz "O menino não devia dizer essas coisas, olhe que Deus castiga-o", ao que o menino tetraplégico lhe responde "Tão faz o quê? Só se me despentear..."! Apesar de nesta história a actriz principal não ser tetraplégica, tudo lhe acontece de mau, ao ponto de chegar a ser ridículo. E convém dizer que eu não sou fã daqueles filmes de finais felizes á americana, mas este também exagerou...acho que percebem o que eu quero dizer! Tou com o J Dias


Inês
Gostei. Dá que pensar. Transformação espectacular da actriz Mo`Nique, camaleónica até.


Sérgio Santos
“Precious : Based On The Novel Push By Sapphire”


A CRITICA CONTEM SPOILERS


Antes de mais quero aqui dizer que sou fã da principal produtora deste pequeno filme independente, Oprah Winfrey (29/01/1954), que já foi considerada uma das mulheres mais influentes e ricas do mundo. Mas vamos ao filme. “Precious : Based On The Novel Push By Sapphire” é um dos melhores filmes de 2009 e concordo perfeitamente que esteja nomeado para 6 estatuetas douradas, quase todas em categorias principais. Saí verdadeiramente estupefacto e boquiaberto da sala de cinema, após ter visionado este filme, apesar de ser um filme de baixo orçamento, apesar de ser uma produção independente, conseguiu convencer muito mais que grande parte dos filmes que têm estreado a nivel nacional e em outros mercados. Fiquei surpreso pela interpretação de Mo Nique, que no filme representa a péssima mãe da protagonista que dá o nome ao titulo do filme. De realçar também as interpretações de Paula Patton e da cantora Mariah Carey (de quem sou fã), estas duas possuem brilhantes interpretações ao longo da pelicula. Doravante, o mérito de “Precious : Based On The Novel Push By Sapphire” vai todo para a revelação do filme, a talentosa Gabourey Sidibe, que interpreta a desprezada Precious. Esta é uma adolescente obesa que vive em condições degradantes com a sua mãe em Harlem. Abandonada pelo seu pai, que abusara dela desde os seus tenros 3 anos de idade, teve dois filhos dele, nunca revelando a ninguém que fora vítima de incesto. Precious foi também vítima dos abusos físicos e psicológicos por parte da mãe, que sempre a desprezou e humilhou, fazendo dela a escrava da casa e nunca reconheceu os méritos da filha, que era também gozada de todas as formas na sua escola. Até ao dia em que decide mudar de escola e ingressar numa escola especial para adolescentes com carências e que não tiverem sucesso no ensino vulgar.

“Precious : Based On The Novel Push By Sapphire” retrata na perfeição uma situação que se passa no seio de algumas famílias nas grandes cidades ou em bairros problemáticos, são vidas escondidas de tudo e de todos, onde somente as jovens sofrem em silêncio abusos de variada ordem, na grande parte dos casos por parte da própria família. No filme, Precious aceita participar no curso “Reach One Teach One” para aprender os conhecimentos básicos e ser alguém, abandonar a casa da mãe e iniciar uma nova vida na companhia dos seus dois filhos. Nem com a noticia da morte de seu pai, Precious perdoa a mãe. A jornada desta adolescente de 16 anos é digna de ser vista, porque existem muitas Precious por esse mundo fora. Mariah Carey como Mrs. Weiss e Lenny Kravitz como John conseguem convencer, apesar de terem pequenas participações, pequenas mas poderosas. “Precious : Based On The Novel Push By Sapphire” é daqueles filmes que nos dão um valente soco no estômago, pela crueldade da história nele contada, pela coragem da protagonista em viver todas aquelas situações de cabeça erguida e com positivismo. Lee Daniels está, de facto, de parabéns por esta obra, que é uma obra-prima do cinema independente. Convem lembrar que existem, um pouco por todo o mundo, muitas adolescentes como Precious que precisam de uma ajuda, um empurrãozinho para mudar de vida, para sair da violência e dos abusos que existem dentro de suas casas. É uma situação alarmante e alguém devia fazer alguma coisa.

Ideal : Para apreciadores de um bom drama intenso.

O melhor : Tudo no filme é perfeito.

O pior : Não vai ser visto por toda a gente.


Jaime Moura
"Precious" é um filme poderoso,é um retrato exasperado de um realidade que se repete pelo mundo fora... As interpretações são riquíssimas pela força psicológica que transportam, vale muito mais que o bilhete de cinema!


Francisco Teixeira
Um filme fantástico. A não perder.


Joao Mendes
Muito Bom Filme! Parabens ao realizador e às actrizes.


J Dias
Péssimo. Totalmente sobrevalorizado. Obviamente produto da máfia e lobby da poderosa Oprah Winfrey que é produtora deste filme.


     
 

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