Andando

Título original: Aruitemo Aruitemo
Título internacional: Still Walking
Título (Brasil):
Realização: Hirokazu Kore-eda
Intérpretes: Hiroshi Abe, Yui Natsukawa, You, Kazuya Takahashi, Shohei Tanaka, Kirin Kiki, Yoshio Harada
Japão, 2008
Estreia: 8 de Outubro de 2009
Edição DVD: 11 de Fevereiro de 2010


Eurico
de Barros
João
Lopes
Média dos
Espectadores
   
 
Um drama familiar que decorre num dia de Verão quando dois filhos adultos vão visitar os pais idosos. Os pais, cada dia mais velhos, habitam na casa da família há décadas. O filho e a filha regressam para um raro encontro familiar, trazendo as respectivas famílias consigo. Juntaram-se para honrar a memória do filho mais velho, que morreu num acidente, há quinze anos. Esta é um típica família disfuncional unida pelo amor, por ressentimentos e segredos.

*****

* Hirokazu Kore-eda no Cinema2000.






João Lopes
Hirokazu Kore-eda é o cineasta japonês de quem vimos Ninguém Sabe (2004), um retrato dramático de um grupo de crianças abandonadas pelos pais. Agora, crianças e adultos voltam a suscitar a sua atenção, desta vez num registo de crónica intimista sobre uma família pela morte do irmão mais velho, ocorrida há 12 anos. É um cinema da máxima subtileza e também do mais obstinado rigor formal, sem dúvida uma das grandes estreias de 2009.


O texto foi publicado no jornal Diário de Notícias a 8 de Outubro de 2009


Sérgio Santos
Ora bem, eu tive a sorte de ver dois filmes deste realizador, um a seguir ao outro. Após ir ver "Andando" ao cinema, cheguei a casa e vi o filme "Ninguém Sabe", que havia comprado na FNAC à cerca de meia duzia de dias, fiquei supreendido pela positiva e pela negativa. Pela positiva, em relação a "Andando" e pela negativa, em relação a "Ninguém Sabe" (2004). Este último contava a história de um grupo de quatro crianças carentes de um pai e, recentemente, também carentes de uma mãe que estivesse sempre presente. Pois bem, é aí que reside a minha desilusão em relação ao filme. É um filme desumano, e que apenas mostra o sofrimento e o desgaste físico e emocional das quatro crianças, ninguém merece passar por toda aquela angústia, aquela mãe e os respectivos pais são desprovidos de sentimentos. Fiquei irritado com o final da criança mais pequena do triste grupo, apeteceu-me logo desligar o aparelho de DVD, mas acabei por vê-lo até ao fim. Não entendo como podem fazer um filme assim, pondo crianças a sofrer, mesmo que seja apenas ficção e baseado em caso verídico.

Em "Andando", temos uma narrativa e um conjunto de imagens muito mais agradável de se ver. Não existe tanto dramatismo (embora eu adore filmes dramáticos), como em "Ninguém Sabe". É uma película mais real e mais humana, do meu ponto de vista, claro. Diria mesmo que "Andando" é o melhor filme deste realizador. Gostei, mas como vi os dois quase ao mesmo tempo, talvez não tenha ficado com uma boa imagem deste senhor.

PS: Vi, nestes últimos dias, em ciclos alternativos e em locais diferentes, dois filmes, ao estilo de documentários, que fiquei muito supreendido. Trata-se de "Ruas Da Amargura", de Rui Simões e de "Lisboa Domiciliaria", de Marta Pessoa. Arrisco a dizer que o cinema documental português tem muito mais qualidade em relação ao cinema dito normal. Enquanto que o primeiro aborda o tema dos sem-abrigo, o segundo fala dos idosos, e do modo angustiante como eles levam a vida, nas suas casas degradantes e deprimentes. Quanto os filmes estrearem por cá, no circuito normal, eu estou lá caído para os ver novamente, são duas pérolas raras do cinema português.


João Mendes
“Andando” tem boas personagens e um verosímil tratamento de um luto permanente, eterno e continuamente magoado.

“Andando” também tem uma placidez que poderá, agradavelmente, desacomodar: de facto, para processo de distanciação com algum universo televisivo que deseja citar, Hirokazu Kore-eda parece esforçadamente fascinado com o resultado dramático de, por exemplo, uma borboleta que entra num “decor”.

Mesmo nas melhores séries televisivas, se calhar as personagens fechariam uma cena assim com algo de anedótico.

Mas, talvez por estarmos no Japão e o realizador achar, com alguma razão, que a cultura e rituais do seu país ainda poderão ser uma boa resposta àquilo que outras cinematografias vão, progressivamente, esquecendo, aquele acontecimento tem uma grandeza digna que, conseguindo afastar-se das pobrezas de uma qualquer telenovela, também se realça de uma película, que querendo ser “cinema”, não deixa desaparecer uma certa conformação geral.

Longe de mim pensar que “Andando” seja um mau filme, ou sequer um filme razoável.
Mas não será uma incúria reflectir que nos seus momentos menos conseguidos, a respiração dramática da narrativa deseja arrancar um sorriso de conforto ao espectador, tentativa que, mais do que conseguida ou não, tem uma indolência incomodativa que seria interessante não a justificar somente com a languidez das próprias personagens…

De resto, excelentes cenários e um tratamento visual que, não sendo de primeira água, serve o material dramático que encena, num filme que tem o dom de saber acabar como já não se vê muitas vezes: com uma aguda, mas muito lúcida tristeza.
Não sendo pouco, é inteligente.


Miguel Lopes
"Ninguém Sabe" prometia mais, e conseguiu mais.
Este "Andando" mantém os mesmos pilares, mas parece que menos fortes. As interpretações, sem dúvida que são uma mais valia; mas parece que fica a faltar mais qualquer coisa. Há planos sem dúvida maravilhosos, mas outros que me deixaram a pensar no porquê de existirem daquela forma. Comichões à parte, "Andando" é um belo filme, muito poético, mais que metafórico, para ser vivido sem quaisquer pretensões.


Teresa Calderón
Acabo de chegar a casa depois de ter visto o "Andando", graças ao Cinema 2000, que me proporcionou a possibilidade de ver este filme japonês. Curioso como as famílias, apesar de se encontrarem em continentes diferentes e culturas diferentes, se assemelham na sua forma de estar e de ser. Tristezas e alegrias, afectos, dúvidas... Avós, filhos, netos. Uma pequena reflexão acerca da familia e tudo o que a rodeia...


Jorge Miguel Batista
Deixo as críticas mais elaboradas, para quem tem jeito/capacidade para as fazer.

Deixo somente a minha opinião em relação ao filme: Excelente!!!


     
 

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