Sacanas sem Lei

Título original: Inglourious Basterds
Título (Brasil): Bastardos Inglórios
Realização: Quentin Tarantino
Intérpretes: Brad Pitt, Christoph Waltz, Eli Roth, Michael Fassbender, Diane Kruger, Daniel Brühl, Til Schweiger, Mélanie Laurent
Estados Unidos/Alemanha/França, 2009
Estreia: 27 de Agosto de 2009


João
Lopes
Média dos
Espectadores
   
 
No primeiro ano da ocupação de França pelos alemães, Shosanna Dreyfus testemunha a execução da sua família pela mão do Coronel Nazi Hans Landa. Shosanna escapa por pouco, fugindo para Paris onde falsifica uma nova identidade como proprietária e operadora de um cinema.

Noutro local da Europa, o Tenente Aldo Raine organiza um grupo de judeus americanos, soldados, para executar investidas rápidas e chocantes de retribuição. Conhecidos pelos seus inimigos como "os sacanas", o bando de Raine une-se à actriz e agente infiltrada alemã Bridget von Hammersmark numa missão para destruir os lideres do Terceiro Reich. O destino de todos eles converge sob um letreiro de cinema, onde Shosanna está determinada em criar o seu próprio plano de vingança...

*****

* Quentin Tarantino, Brad Pitt, Christoph Waltz, Eli Roth, Michael Fassbender e Diane Kruger no Cinema2000.






João Lopes
"Inglourious Basterds", de Quentin Tarantino, foi, sem dúvida, um dos filmes mais promovidos deste 62º Festival de Cannes. Por isso mesmo, seria uma pena que a sua identidade se confundisse com a agressividade do seu marketing. Isto porque estamos perante, não o Tarantino que se copia a si mesmo, mas sim aquele que sabe lidar com o cinema como uma linguagem plural, em permanente interrogação e reinvenção. Este é, afinal, um retorno ao filme de guerra (na França ocupada pelos nazis) que, insolitamente, confirma Tarantino como um invulgar cineasta da palavra.

(Cannes 2009)


Pedro Emanuel Cabeleira
Em Sacanas Sem Lei há respeito pelos princípios cinematográficos. Partindo da análise respeitante à essência cinematográfica como matéria-prima, posso concluir que esta película recorre a ela com uma fluência original e prometedora. Movimento, cinema é movimento, Tarantino consegue captar extraordinariamente o movimento. Supera as suas referências na medida em que utiliza a herança da melhor maneira possível. Audaz no modo como reutiliza o que foi deixado para trás, Sergio Leone conduz Tarantino nesta obra. Transportar o que o Western pode representar para a Guerra foi um trunfo. A maldade e astúcia, os confrontos e os tiros implacáveis são características comuns a estes dois géneros. Voltando ao movimento, uma característica preponderante para compreender o resultado de Sacanas Sem Lei, temos que compreender que para este funcionar, há que funcionar o movimento. O movimento é na realidade aquilo que consegue destacar o cinema das restantes artes, como tal, Tarantino eleva o cinema duplamente. Não só por homenageá-lo trabalhando meticulosamente o que se insere no campo visual do espectador, mas também por dar término a uma monstruosidade através da sétima arte. Conhecendo tão profundamente o modo de realizar um filme, emociona então a partir do momento em que passam os créditos iniciais, uma música lírica soa ao mesmo tempo que apercebemo-nos que iremos assistir a algo memorável, grandioso como "The Green Leaves of Summer". A qualidade do diálogo, já e prática comum na obra de Tarantino, e aqui não será excepção. A fotografia melhora, os restantes aspectos técnicos estão cada vez mais cuidados, a banda sonora reaproveitada mas eficaz e personagens, como sempre, bem caracterizados e representados. Somos submetidos ao factor surpresa, nesta obra que transparece um pouco o absurdo e o exagero, que acaba por ser interessante quando nas devidas proporções. Momentos inesquecíveis, Sacanas Sem Lei revela-se uma obra que não compromete e inova no género conseguindo sempre deixar o espectador incrédulo. E como Raine diz no final do filme a Utivich, "I believe this is my masterpiece", não direi que seja esta a derradeira "masterpiece" de Tarantino, mas sim uma das suas. A obra dirige-se assim para um novo patamar de congratulação, assume-se como um filme revigorante do cinema moderno, e sobretudo uma delícia para o espectador que pode desfrutar duas horas e meia incomuns.


João Lima
Acho o filme muito desequilibrado. o primeiro capítulo sim, está bem feito, mas há coisas que me enchem de revolta.
Estamos a falar da Segunda Guerra Mundial. E o melhor que ele faz é fazer uma espécie de western, pancadaria e violência, transformando, como disse um crítico os judeus em nazis, pelos métodos, retirando contexto. A Segunda Guerra Mundial como filme de acção não dá. isso só quer dizer que a humanidade não tem inteligência, só reflexos condicionados.
Tarantino filma muito bem, faz boas referências ao cinema alemão (Pabst, etc...), mas o filme, para além de ser muito comprido e por vezes monótono, prova que o puto ainda não cresceu.
Será que a humanidade está a regredir?
Será que a era da ironia provocou uma suspensão da inteligência?
Hoje em dia muitas pessoas ainda pensam que os campos de concentração não existiram, outras são anti-nazis só porque sim, mas não sabem explicar como é que tudo aquilo foi acontecer.Outros ainda acham que os fins justificam os meios.
Não tenho sentido de humor para esta ida à guerra.


Pedro Emanuel Cabeleira
Brilhante e espectacular. Tarantino sem duvida que sabe fazer filmes. Um filme fora do normal e de grande qualidade. Um filme tão bem feito que não tenho palavras. Eu sou suspeito, porque para mim Tarantino é um génio, mas cada vez mais aprecio a sua arte, um filme sobre a segunda guerra mundial muito bem conseguido. Óptimas interpretações, um argumento inteligente e perspicaz e uma maneira de filmar especial e peculiar de Tarantino, banda sonora muito bem escolhida. Dou lhe nota máxima.


Jorge Silva
Mais um excelente filme de um dos melhores autores do cinema americano. Uma sarcástica visão da Segunda Guerra Mundial com excelentes sequências dialogadas (onde a tensão se instala com fascínio) entrecortadas com as explosões de violência que são apanágio do autor. Christoph Waltz tem um papel de antologia como inteligentíssimo oficial nazi capaz de farejar onde mais ninguém alcança. Recheado de cinefilia, com planos excepcionais e, acima de tudo, capaz de divertir de forma superior, assim são estes Sacanas Sem Lei.

Jorge Silva
avidanaoeumsonho.blogspot.com


João Mendes
Tarantino ainda tem a admirável capacidade em nos introduzir dentro de uma cena, como se estivéssemos no interior do próprio filme e, para que conste, aqueles fabulosos grandes planos de Martin Wuttke, no papel de Hitler, a rir-se maniacamente para o deboche de violência nazi num ecrã de cinema, originarão, daqui a uns anos, saborosas teses de um qualquer seguidor de Walter Benjamin.

No entanto, o realizador, no meio de algum histerismo e cabotinismo que não deseja controlar (mesmo o sobrevalorizado Christoph Waltz acaba por perder o tino da credibilidade dramática quando começa a representar “tarantinismos” – aquele “ that´s a bingo!” arrepia…), evidencia a privação de um dado que era fundamental no seu cinema: o fardo que a morte tem e como esse fardo afecta o estado emocional das personagens.

Vendo “Sacanas sem Lei”, a estupefacção, que já tinha principiado em “Kill Bill”, completa-se: o morticínio é excessivo, não raras vezes ridiculamente sádico e as personagens, elementos que provêm de um cinema “exploitation” mais idealizado que real (portanto, boas demais para aquilo que citam, mas não conseguindo ter espessura dramática para sair dessa mesma citação) tem com a morte a mesma relação que “este” Tarantino parece querer colocar, agora, no seu cinema: entretenimento oco.

Os actores têm representações desequilibradas (resta saber o grau de voluntariedade da má representação de Brad Pitt…) mas Mélanie Laurent destaca-se dos demais: a leveza e a justeza dos seus gestos, nunca falhando uma expressão ou um diálogo, têm o mérito de, por vezes, nos distrair do narcisismo de um realizador que necessita de outro tipo de projectos (mais pequenos, talvez…), para encarreirar o seu grande talento.
Desta parte, agradecia-se.


Diogo Faria de Oliveira
Sacanas sem Lei é sem dúvida uma soberba e extraordinária história de Quentin Tarantino. Nunca fui grande apreciador de Quentin Tarantino, mas este dizia-me qualquer coisa que era um excelente filme. Arrisquei e fui ver.
Resultado: Sai muito satisfeito! Ou talvez impressionado com a dinâmica do filme.

A história, as excelentes intrepetações como Brad Pitt( simplesmente espectacular e divertido e no seu melhor), Christoph Waltz (magnifico) e Eli Roth (soberbo); o argumento e o enredo; a banda sonora( estrondosa) e a realização fazem deste filme "um dos" maiores filmes de sempre e do ano.
O filme diverte(rir com umas poucas gargalhadas); entretem e emociona.

Quanto ao resultado do filme dou: 8.5/10

Arrivadenci! - Aldo raine xD


Maria Helena Almeida
Acabei de vir do cinema. Fui ver o Sacanas sem Lei. Gostei imenso. Confesso que não tinha apreciado muito o "À Prova de Morte", também do Tarantino, mas este supera de longe. Tem humor, história, ironia, bom cruzamento de ideias, muito bom mesmo!! Christoph Waltz é magnífico!! 8 pontos de 1 a 10.


Ana Melo
Naturalmente atribuo 5 estrelas a "Sacanas sem Lei". Por lapso não assinalei as respectivas estrelas.


Filipe jac
Li com atenção as críticas que já foram feitas ao filme e partilho das opiniões e perspectivas que defendem que este filme não é excepcional, não é original, nem acrescenta nada de muito inédito à filmografia de Tarentino. No entanto, considero que Tarentino não é muito bom ao nível dos momentos de acção: demasiadas sequências de violência gratuíta e inverosímel, apesar do filme ser uma comédia de humor negro, mas já é mais razoável pelos diálogos que constrói, nomeadamente, na sequência inicial e no diálogo que antecede uma matança mutúa, aí sim, até é brilhante.
O actor christoph Waltz esteve muito bem , em oposição à figura cabotina de Brad Pitt. Boa música sonora, bons planos, guarda roupa adequado e uma homenagem a alguns clássicos do cinema já referenciados por outros, destaque-se: "the searchers" ou "Once Upon in The West". Divertido...o suficiente


JG
Os diálogos idiotas/imbecis (imagem de marca do mestre Tarantino) desapareceram deste filme ? não acredito ... lol

Como pode ser idolatrado um cineasta imbecil como Quentin Tarantino ? Como se podem ter associado, crítica, actores , opinião pública, numa veneração a um homem destituído de qualquer interesse, que não tem nada a transmitir e como realizador não passa da mediocridade ?

"Pulp Fiction" é sem dúvida um filme original e muito agradável de se ver, apesar de sua inocuidade intelectual e que qualquer argumentista rasca, conseguiria criar se imaginasse situações inusitadas e de alguma hilaridade, associadas aos eternos temas do sexo, drogas e violência . Ok, já estou a ouvir a dizerem : mas o filme está a parodiar um tipo de literatura que existia no EUA ! Ok, e eu respondo : já contactaram com outros argumentos dele ?

Os diálogos do filme são de genuína verborreia e a violência dele é completamente gratuita (como em todos os seus trabalhos ), contrariamente ao filme de Oliver Stone, "Assassinos Natos", em que o nosso homem foi o argumentista inicial e que veementemente o criticou por este lhe ter alterado o seu trabalho de modo à obtenção do excepcional argumento final.

"Assassinos Natos" é uma obra prima, apesar de muita gente não ter tido a capacidade de o entender : além de uma realização fabulosa, mostra o lado negro da natureza humana e aquele apelo primevo à violência que existe em nós, já magistralmente exposto em filmes como "Noite de Vingança" de Polanski e no glorioso "Apocalipse Now" de Coppola.


Ana Melo
."Sacanas Sem Lei", é daqueles filmes que enchem as medidas. Por tudo.
Eu, nem sou seguidora de Tarantino, nunca tinha ido ao cinema ver um filme dele, embora reconheça que Pulp Fiction é muito bom e que ele é um grande realizador. Mas, sempre tive curiosidade em ver estes "Sacanas".

Por vários motivos: Tarantino a fazer um filme sobre a II Guerra Mundial, com um elenco internacional e um Brad Pitt mais uma vez surpreendente. Depois a premissa: caçar nazis e dar um desfecho diferente à história da II Guerra é no mínimo curioso.
Subscrevo algumas crítica que consideram "Sacanas Sem Lei" o "menos Tarantino e o seu melhor filme". Parece-me um filme maduro, sem perder a loucura característica de Tarantino.
Se mais motivos não houvessem, só ver o actor austríaco Christoph Waltz (vencedor do festival de Cannes para Melhor Actor com este Coronel "Landa") já valeria a pena. Ele é perfeito. Só vendo. O elenco françês, alemão, norte-americano e até inglês tornam o filme muito interessante.Os diálogos são fantásticos, inteligentes, plenos de ironia. Fantásticos. Tudo na medida certinha.

E a história é brutal. Oscila entre momentos de humor (sim há cenas em que nos fartamos de rir), e uma violência cortante, mas - ao contrário do que eu esperava- a violência está muito bem doseada, não é NADA EXAGERADO e isso agradou-me muito.

É interessante como conseguimos ver a inversão da história (os nazis a serem literalmente queimados) e como o dsefecho do filme é no mínimo curioso:
E SE TIVESSE SIDO ASSIM? É essa a pergunta que fica na cabeça, aquilo é ficção, mas se a II Guerra tivesse acabado daquela forma? ISSO É CURIOSO...

E a última frase do filme...Brad Pitt (aliás Tenente Aldo Raine) a olhar a marca da suástica que fez na testa de alguém que não vou revelar e a dizer muito calmamente: ESTA É BEM CAPAZ DE SER A MINHA OBRA-PRIMA.

Como li algures, "obra-prima, é este Sacanas Sem Lei". E eu acrescento: INTELIGENTE E MORDAZ. Muito bem realizado, com tudo no lugar certo, a banda sonora, os planos, a fotografia, as personagens são todas fabulosas.Tudo 5 estrelas.

A começar pelo nome: "INGLORIOUS BASTERDS" ESTÁ MAL ESCRITO, COMO SABEM. SERIA "INGLORIOUS BASTARDS" , mas ali está em causa a pronúncia (ao ver o filme torna-se cçarinho como água o jogo de palavras). As cenas em que se passa de françês para alemão, para inglÊs, para a pronúncia tipicamente do Tenessee do Brad Pitt...é delicioso...a interpretação de todos é excelente.

Mas , lá tenho que dizer: CHRISTOPH WALTZ é soberbo. Uma interpretação impecável. Uma personagem fabulosa que rouba inteiramente o ecrã. A cena em que ele contracena com o Brad Pitt é soberba...e simultaneamente das mais cómicas (por ser plena de ironia). Os gestos, os olhares, os diálogos...o filme está feito de forma INTELIGENTE e isso nota-se em cada plano.

ALIÁS O FILME PRENDE DESDE A PRIMEIRA CENA...E AS 2H E MEIA PASSAM NUM ÁPICE...o que diz tudo.

SE QUEREM VER UM BOM FILME ACREDITEM QUE SACANAS SEM LEI É 5 ESTRELAS. CINEMA A SÉRIO.
Já esperava um bom filme mas confesso que excedeu o que pensava.


Nuno Russo

ACHTUNG! ESTA CRÍTICA CONTÉM SPOILERS!

Apesar de não ser grande admirador dos trabalhos de Tarantino de uma forma geral e considerar que é um realizador um tanto sobrestimado, tenho de me render à evidência: este homem consegue prender o espectador ao ecrã do princípio ao fim do filme. O novo “Sacanas Sem Lei” (“Inglorious Basterds” no original) é, seguramente, um dos seus melhores filmes e aquele que mais se aproxima dos seminais “Cães Danados” e “Pulp Fiction” na medida em que se trata de um filme com ênfase nos diálogos e nos detalhes em detrimento da acção (que já tínhamos a rodos nos dois volumes de “Kill Bill”).

Devo confessar que não tinha grandes expectativas em relação ao filme, pois estava convencido que seria uma espécie de “Kill Bill” transposto para o cenário da 2ª Guerra Mundial. No entanto, acabei por ser surpreendido pela positiva. Tem grandes doses de violência (gratuita ou não, fica ao critério de cada um), mas é, acima de tudo, um filme de actores. Todo o elenco é fantástico e eleva o filme a um patamar de genialidade. Claro que para isso contribui a interacção fabulosa entre personagens americanas, francesas e alemãs: Tarantino não só foi astuto o suficiente para contratar um elenco internacional (Daniel Brühl e Diane Kruger são disso exemplo) como conseguiu criar situações soberbas em torno das várias diferenças linguísticas e sotaques: a cena na taberna em que o general inglês quase se denuncia devido ao seu sotaque alemão macarrónico e aquela no cinema em que Aldo Raine e respectivos comparsas tentam passar por italianos são das melhores do filme.

Não posso deixar de destacar a personagem de Christoph Waltz, um oficial nazi chamado Hans Landa, deliciosamente inconveniente, conhecido como “Caçador de Judeus”. Os seus modos graciosos quase nos fazem sentir simpatia pela personagem, mas há sempre uma intenção pérfida por detrás da aparente doçura. É interessante acompanhar os jogos psicológicos que leva a cabo com as suas “vítimas”.

Em suma, “Sacanas Sem Lei” é um filme divertido e inteligente que só não é recomendado a quem tem horror a violência explícita, ainda que, neste caso, a diversão ultrapasse largamente a violência.

Desejo-vos muitos e bons filmes.


Paulo Lopes
COM UM SPOILER (talvez)
Quase todos os trunfos deste filme foram aqui destacados: os esplêndidos diálogos, funcionalmente `incrustados` em várias cenas longas (por exemplo, a do primeiro capítulo, a da taberna...), o que levou João Lopes a observar (muito certeiramente) que neste filme Tarantino se revelou um invulgar cineasta da palavra; a relevância dramática das línguas (e das personagens poliglotas); a paródia, ancorada num dispositivo narrativo fluido e bem dominado...
Em suma, um divertimento astucioso, entusiasmante e contrafactual (o que funciona como um twist [eis o spoiler]).


Pedro Fonseca
Este é daqueles filmes que mal começa vê-se logo que é do Tarantino. Mas este... que filme. Apesar daquelas esquisitices típicas em Tarantino, como música e imagens a imitar o antigo e filme dividido por capítulos, este é um dos melhores filmes do ano. Um dos melhores do ano e, sem dúvida, o melhor de Tarantino. O filme é todo ele muito divertido e ao mesmo tempo cheio de emoção e suspense. Para isso contribui muito o desempenho dos actores que está fantástico. Brad Pitt tem aqui mais um brilhante desempenho (que nos últimos tempo tem-se tornado um hábito). A realização está, de facto, fantástica. Tarantino filme cenas e faz planos como ninguém. O filme dura cerca de 2h30m mas apesar de não haver muita acção e de ter cenas bastante longas e paradas, não se dá pelo tempo passar. Isto porque os diálogos estão absolutamente fantásticos. É muito raro nos dias de hoje vermos um filme no cinema com diálogos desta qualidade. Com actores de qualidade a interpretar diálogos de qualidade e com um realizador que sabe o que está a fazer, é muito difícil o resultado final não ser um grande filme. E este é, de facto, um grande filme. Do meu ponto de vista, e tendo em conta os meus gostos pessoais, este filme apenas peca por aquela parte mais esquisita de Quentin Tarantino. Um final, digamos, mais completo também não ficava mal. De qualquer forma, sem dúvida que é um dos melhores filmes do ano. Ah, atenção que este é um filme do Tarantino. Portanto não recomendável a pessoais mais sensíveis por causa da violência.

Classificação: 8


Pedro Fonseca
http://mundoemquevivemos.blogspot.com
http://cinemaniabraga.blogspot.com


Fernando Oliveira
Eis um filme que é uma demonstração exemplar do método Tarantino.
Acredito que as ideias para os seus filmes lhes vêm de imagens completamente estapafúrdias, que ele depois cruza com as milhentas referências que tem do seu passado cinéfilo, e sabemos que Tarantino gosta de filmes que não “lembra” a mais ninguém gostar, e depois acrescenta diálogos cada vez mais inteligentes de causticidade e humor.
Com esta mistura consegue resgatar géneros e maneirismos cinematográficos que todos nós assumimos como descaradamente xunga, e transformá-los em filmes verdadeiramente modernos e absolutamente geniais. Claro que este método tem como consequência serem filmes demasiado codificados nas suas referências, e excessivos nos preciosismos, mas tudo isto passa ao lado para quem aceita entrar nestes autênticos delírios que se sentem quase como uma brincadeira para o realizador.
E brincadeira é a palavra certa: sente-se em todos os seus filmes o enorme gozo que ele tem em fazê-los. É alguém que ama o Cinema e adora fazer filmes.
Este “Inglorious basterds” é sua visão, extraordinariamente caricatural e ao mesmo tempo cruel, tanto da ocupação nazi da França, como da resistência terrorista (neste filme no verdadeiro sentido da palavra). Um grupo de Judeus é largado na França ocupada para matar de uma forma visivelmente sádica o maior número possível de nazis. Ao mesmo tempo é anunciada a estreia em Paris de um filme alemão com a presença de todas as individualidades do regime, incluindo o próprio Hitler…. A partir daqui Tarantino, misturando um argumento impregnado de nonsense e desrespeitador da História com a sua genialidade de fazedor de filmes, consegue mais uma vez criar um objecto único, um filme que é um dos melhores do ano.
Uma palavra para o grande trabalho de interpretação de todos os actores e actrizes: seria injusto destacar algum deles.

Fernando Oliveira


Daniel Alvares
CONTEM SPOILERS!

Mas que grande filme.
Começa com uma intensidade de cortar a respiração. Todo o primeiro capitulo é genial. A tensão que consegue criar apenas com uma conversa é genial. O segundo capitulo apresenta-nos os bastardos e nota-se que é o capitulo que foi mais retalhado (foram cortados 40 minutos de filme, se não me engano) mas não perde qualidade. A violência é equilibrada (violência gratuita? não. Nem achei que o Kill Bill tivesse violência gratuita) com um humor negro delicioso, digno do Tarantino. O terceiro capitulo é o mais fraco. O filme perde ritmo mas tem uma cena que o salva, que é a cena do restaurante, alias o Christoph Waltz rouba todas as cenas em que entra, e essa cena não é excepção, até porque a Mélanie Laurent tem a prestação mais medíocre do filme.
O quarto capitulo trás a intensidade de volta. Toda a cena da cave é excelente. A tensão de não sabermos se eles vão ser descobertos ou não está muito bem construída, e a forma como acaba é a cereja em cima do bolo.
O quinto capitulo é o culminar de toda a tensão que foi sendo criada ao longo do filme. Aí, sim, vê-se o amor que Tarantino tem pela sétima arte. Ironicamente a ultima cena passa-se numa sala de cinema que é destruída através das fitas de 35 milímetros. Se isto não é amor não sei o que seja...

Concluindo, este é o melhor filme que vi este ano a par do Watchmen, sem contar com os filmes dos oscars e neste caso o filme pode ser resumido apenas numa frase, frase essa que é a ultima a ser dita no filme: "You know somethin`, Utivich? I think this might just be my masterpiece."


Paulo Ferrero
O saudoso e duro Aldo Ray que dá nome ao Aldo Raine de Pitt; Yvette Mimieux que dá nome à dona do cinema onde passam filmes de Georges-Henri Clouzot, e que, aliás, fez dupla com Rod Taylor – que aqui faz de Churchill - num já célebre filme de acção “Expresso de Katanga”. Planos e sequências a transbordarem de cinefilia por todos os lados (dos acenos a “A Desaparecida”, a Bowie cantando como em “Cat People”, etc., etc.), tudo isso é motivo para regozijo em “Inglorious Bastards”, a última obra de Tarantino. Mas nesta paródia aos (ou será “de”) filmes de guerra, aqui e ali pontuado por clichés dispensáveis, o que dá para ver que o autor de “Pulp Fiction” é mesmo um fora-de-série são os assombrosos diálogos de quase todo o filme.

Perante um tema – a 2ª Guerra Mundial - tão estafado, quanto filão, só um grande realizador é que seria capaz de segurar uma plateia do princípio ao fim. Os diálogos curtos, plenos de humor e certeiros; e algumas sequências de assombro, como as do jogo de “adivinha que carte tenho na testa” na taberna (cujo desfecho lembra a do terrível desfecho de “Reservoir Dogs”, ou a do morticínio aquando da primeira operação de escalpes, fazem deste filme não a melhor mas mais uma obra incontornável de Tarantino. Isso e um espectacular actor, Christoph Waltz.


Cine-Australopitecus


Pedro Cruz
Gosto muito de Tarantino. Acho que é, sem dúvida, um dos melhores realizadores actuais, mostrando uma forma sempre original de filmar e recuperando ao mesmo tempo planos, músicas e muitas outras referencias clássicas do cinema. Gostei muito deste último filme. Mais uma vez consegue surpreender. Toda a promoção do filme e o seu próprio titulo engana-nos. O filme é muito mais do que uns sacanas sem lei que resolvem chacinar todos os nazis que encontrem pela frente. Tem cenas fabulosas e personagens fantásticos, dando um novo fôlego aos filmes de guerra.


Alex Aranda
Gloriosa Sacanice

Regresso de Tarantino em grande, com uma “brincadeira” aos filmes de acção passados na Segunda Guerra Mundial, com missões de (alto) risco, que se transforma num hino ao Cinema.
Desengane-se quem espera um tremendo filme de acção em que os boches são “carne para canhão” – nessa matéria o (excelente) trailer é (bem) enganador.
Tirando essa “expectativa”, “Inglourious Basterds” é puro Tarantino – filme em capítulos, excelentes diálogos, personagens cativantes, violência extrema mas com humor, final atípico e muita cinefilia.
Impressionante é o trabalho de Waltz (fez-me sentir ódio pelo seu personagem) e comovente é a interpretação de Laurent (é o único personagem que ganha a simpatia do espectador).
Só é pena que Tarantino não dê tanta atenção a todos os “Basterds” (nesse aspecto, Robert Aldrich foi atencioso com todos os “Dirty Dozen” e aos personagens em redor) e que não tenhamos mais cenas com os “heróis” em confrontação com os nazis.
Ainda preciso de ver “Basterds” e o conjunto “Kill Bill” (que cumpre de forma mais “honesta” a promessa de acção e espectáculo) mais uma vez para me decidir qual o meu favorito de Tarantino.
Que ele renova o “tradicional” filme de guerra sobre Aliados contra nazis, é um facto. Várias línguas são faladas (para um maior “realismo”), há pouco ênfase nas confrontações entre “heróis” e “vilões”, há tragédia e até temos direito a uma história dramática e de amor. O seu amor ao Cinema é tal, que é numa sala de cinema que o principal evento acontece e é graças a um “filme” e ao celulóide que tudo se “resolve”. No fundo, um filme de guerra, sobre a guerra, mas em tudo diferente do que já foi feito.
Contudo, apesar desta “glória” e “realismo” não esqueço nem dispenso os clássicos (que já ganharam esse estatuto e ninguém os tira, enquanto que “Basterds” ainda tem de esperar pelo momento em que o merece) – “The Dirty Dozen”, “Where the Eagles Dare”, “The Guns of Navarone” (e a “sequela”, “Force 10 from Navarone”), “Kelly`s Heroes”, “Desperate Journey” e… “Inglorious Bastards”, pois claro. Não os (re)ver, (re)descobrir e (re)valorizar seria uma verdadeira sacanice.


Sérgio Santos
A CRITICA CONTEM SPOILERS


Confesso que não era admirador de Quentin Tarantino, mas, quando comecei a ver os seus filmes, comecei também a deliciar-me com as suas películas e o seu jeito muito próprio de contar as suas histórias. O primeiro filme que eu vi dele foi, “Kill Bill : Vol. 1” (2003) e, embora tivesse achado o filme um exagero, até gostei. Mas gostei muito mais do “Kill Bill : Vol. 2”(2004). Depois, vi o filme, “Jackie Brown” (1997) e adorei. De seguida, vi o filme, “Death Proof” (2007) e confesso que não gostei muito do filme, aliás, é o pior filme da sua carreira. Mais tarde, vi o filme, “Pulp Fiction” (1994) e o filme, “Reservoir Dogs” (1992). Digamos que só comecei a gostar dos filmes de Tarantino, após ver os filmes da saga, “Kill Bill”. Depois, vi os restantes filmes dele e ajudou a formar a minha opinião sobre este excêntrico realizador. Vi também, os dois episódios da série, “CSI”, que ele realizou e até gostei. Quanto a “Sin City” (2005), posso dizer que gostei do filme, mas penso que o filme tem muitos exageros.

Não podemos dizer que Quentin Tarantino é um dos melhores realizadores de sempre, porque estaríamos a ofender os verdadeiros realizadores, realizadores como, Ingmar Bergman, Alfred Hitchcock, Elia Kazan, Jesus Franco, Lasse Hallstrom, Federico Fellini, Pier Paolo Pasolini, Charles Chaplin, David Lean, Francis Ford Coppola, Sergio Leone, James Cameron ou Steven Spielberg, peço perdão por todos os outros que eu possivelmente esqueci. No entanto, não quero com isto dizer que Quentin Tarantino seja um mau realizador, não é, até é um realizador com muito mérito, quase todos os seus filmes estão no top do IMDB e quase todos os seus filmes são do agrado do público cinéfilo. Eu, mesmo, sou grande admirador de Quentin Tarantino.

Falemos do novo filme de Quentin Tarantino, “Inglourious Basterds”. Em primeiro lugar, devo dizer que adorei o filme, “Inglourious Basterds”, foi dos melhores filmes que vi este ano. Para já, possui uma premissa fantástica : um grupo de judeus que dedica o seu tempo a matar nazis, lindo. Só lamento que o que vemos em “Inglourious Basterds”, não tenha acontecido realmente naquela altura, porque seria fantástico. Na actualidade, também podia haver um grupo de homens que dedicasse o seu tempo a matar criminosos, seria uma grande ajuda para a policia. “Inglourious Basterds” tem um dos meus actores preferidos, Brad Pitt, e o meu filme preferido dele é, “The Curious Case Of Benjamin Button”. Em “Inglourious Basterds”, Brad Pitt tem uma das suas melhores interpretações. E o filme é um espectáculo. Tem uma história fantástica, tem boas interpretações e tem sangue. Tem personagens fantásticas como, Aldo Raine (Brad Pitt), Shosanna Dreyfus (Melanie Laurent), Hans Landa (Christoph Waltz), Donny Donowitz (Eli Roth), Bridget Von Hammersmark (Diane Kruger) e tem personagens ridículas como, Fredrick Zoller (Daniel Bruhl) ou Ed Fenech (Mike Myers). Fantástica toda a sequência passada no cinema, e fantástica toda a sequência passada na selva, quando Aldo interroga os nazis. “Inglourious Basterds”, na minha opinião, é o melhor filme de Quentin Tarantino.

Ideal : Para admiradores de Quentin Tarantino.

O Melhor : Quase Tudo.

O Pior : Não ser baseado em factos verídicos.

PS: Quero aqui dizer que fiquei desapontado com o facto de, ter reparado que, no trailer, existem duas cenas que não aparecem em “Inglourious Basterds”. Está-se a tornar muito chato estas situações e tem acontecido cada vez mais vezes. Acho bem que acabem com isso, já começa a irritar as pessoas, principalmente, os cinéfilos como eu.

PS 2: “Inglourious Basterds” é um dos filmes mais esperados do ano. E ainda bem que eu não saí desapontado com o filme. Mas, espero com grande espectativa, filmes como, “2012”, “Orphan”, “Avatar”, “District 9” ou “Phoebe In Wonderland”.


João Cravo
Excelente. Somente um grande realizador consegue filmar "um filme de guerra" com, digamos, "pouca guerra" e prender o espectador até ao final. Dialogos soberbos e uma primorosa direcção de actores. A ver sem reservas.


André Vidigal
Embora por muito curioso que sejam os exercício de estilo a que se dedicou Tarantino nos dois últimos filmes "Kill Bill" e "À prova de morte", ambos os filmes são precisamente isso: um exercício de estilo. Pegar num género, reconstrui-lo e reiventá-lo. Filmes sobre o cinema e sobre estilos de cinema.
Mas desta vez Tarantino percebeu que tinha que aprofundar o seu universo não apenas no género que está a parodiar, mas aprofundando os diálogos, as personagens, o suspense criando Cinema com letra grande e não apenas um piscar de olhos a um género cinematográfico.
Os diálogos estão lá mas não são inconsequentes: criam suspense, aprofundam as personagens e estão de tal forma ligados á própria história que são, talvez a parte principal do filme. Porque desta vez, a França ocupada tem alemães, franceses, ingleses e americanos a falar as suas línguas e tudo isso é importante para a própria narrativa. Exemplo: a cena onde a pronuncia denuncia alguns protagonistas face ao oficial das SS.
Este é o melhor filme de Tarantino e está ao nível de Pulp Fiction. O impacto que nos cria pode não ser tão grande, por não ser novidade. Mas os enquadramentos, o glamour, as personagens tornam este filme o melhor filme que já vi este ano. E Tarantino poderia aqui ter feito um sangrento filme de vingança (como Kill Bill) mas não o fez. Aliás, a história de vingança é pouco importante.. É importante o conjunto de personagens que vivem na história e que proporcionam ao espectador o que quase toda a gente esqueceu: verdadeiro cinema!


Diogo Filipe
A última frase do filme...descreve-o! Acho que não é preciso dizer mais nada!!

(mais uma coisa...o filme menos tarantiano...é a sua melhor obra)


MOliveira
Sem dúvida um dos melhores filmes de Quentin Tarantino. Uma homenagem ao cinema! Bem feito, hilariante, com sadismo q.b., com doses de ridículo e quadros quase surrealistas (que dizer do momento de "baseball"?), e com os habituais monólogos/diálogos contemplativos a enquadrar a narrativa. O momento incendiário parece enviar a mensagem "o cinema/os filmes salvam tudo". Excelente!
Brad Pitt é um talento nato para a comédia.
Que sorte ter tido bilhetes para a AE! :)


Fernanda
Sem dúvida o melhor filme de Tarantino na minha opinião. Muito mais maduro do que os filmes anteriores.Gostei muito , especialmente dos diálogos e o enredo é bastante interessante.Achei que os actores estão todos muito bem com especial destaque Waltz e Fassbender. As minhas cenas/capitulos favoritos são a primeira e a do bar.


Vitor Alves
Sem dúvida mais uma vez Quentin Tarantino, surpreende-nos com mais uma excelente realização. Tem uma interpretação brilhante de Brad Pitt como Tenente Aldo Raine. Trata-se de um filme que relata de uma forma muito peculiar os matadores de nazistas da Segunda Guerra Mundial. O filme tem algumas cenas com alguma dose de violência (como já é habitual nos seus filmes :) ), mas pela incrível forma como o filme nos envolve faz-nos "rir às gargalhadas" a forma como vemos alguns nazis serem espancados até à morte, em vez de sentir-mos qualquer tipo de remorsos ou choque por tal violência.
Sem dúvida um filme que recomendo a todos irem ver...


     
 

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