Título original: Star Trek
Título (Brasil):
Realização: J.J. Abrams
Intérpretes: Chris Pine, Zachary Quinto, Eric Bana, Karl Urban, Zoe Saldana, Simon Pegg, John Cho, Anton Yelchin, Bruce Greenwood, Winona Ryder, Leonard Nimoy
Estados Unidos/Alemanha, 2009
Estreia: 7 de Maio de 2009
Crítica de: Jorge Pinto
João Lopes
Média dos Espectadores
Um olhar sobre a fundação de uma das tripulações espaciais mais emblemáticas da Sétima Arte. Como o Capitão Kirk entrou na Academia Starfleet, o início da sua amizade com Spock e as primeiras batalhas contra os Romulanos.
Reavivar a saga Star Trek a partir das aventuras que conduziram James T. Kirk, Spock e os outros à nave USS Enterprise, eis o projecto desta produção de muitos e espectaculares recursos, e também de escassas ideias para lidar com eles. De facto, muitos exemplos deste cinema (dito de) Verão estão cada vez mais instalados numa equação absurda: por um lado, são fabricados a partir de uma riqueza tecnológica quase obscena; por outro lado, revelam uma desesperante ausência de conceitos de mise en scène para lidar com os próprios elementos ao seu dispor. Na prática, assistimos a uma verdadeira estética do desperdício: cenários gigantescos e efeitos especiais sofisticadíssimos tratados com uma câmara assarapantada (de “reportagem”?) que não tem gosto por nenhuma das matérias que filma.
(Diário de Notícias, 9 de Maio de 2009)
Tiago Rosa
Filme banal, bons efeitos especiais.
Chris Pine Fraca prestação, não me parece indicado para o papel que desempenha.
Zachary Quinto parece começar a afirmar-se como bom actor. Para quem assiste à série "heroes" talvez lhe reconheça o talento e escalada de fama que tem vindo a conquistar nos últimos tempos.
bons efeitos especiais.
Pedro Duarte
O filme vale essencialmente pelos espectaculares efeitos especiais. De resto, mais um filme de ficção científica como tantos outros.
Pedro Fonseca
Quase 43 anos após o 1º episódio na televisão americana, Star Trek regressa aos cinemas após algumas anteriores tentativas frustradas de trazer a série para a sala de cinema. Desta vez, parece que este filme fica mesmo para a história (seja ele bom ou mau). O argumento do filme está bastante bom. Para além de ser o típico filme de ficção científica com bastante acção e efeitos especiais, aparece aqui um humor algo atípico neste género de filmes mas que resultou muito bem. Os efeitos especiais estiveram presentes mas, sinceramente, desiludiram-me um pouco. Para um filme deste género em pleno século XXI, pedia-se maior espectacularidade. Os actores estiveram em bom plano, com actores bastante jovens que prometem. Penso que o principal problema do filme residiu na montagem. Há partes que não estão explicadas e que se trata no filme como se já tivesse acontecido ou já tivessem sido explicadas. Em suma, apesar dos razoáveis efeitos especiais, um bom filme de ficção científica, com bastante humor, acção e entretenimento quanto baste.
Classificação: 7
Pedro Fonseca
http://mundoemquevivemos.blogspot.com
João Mendes
O conforto temático tem as suas vantagens e, por esse ponto de vista, “Star Trek” dá-nos a marmelada que queremos barrar no pão para o pequeno-almoço. É óbvio, embora admita que seja bastante ordinário, o que vou dizer a seguir: o filme? Come-se.
Agora, o que não se come, ou que não se traga, para abandonar estes laivos de grosseria que me estão a acometer, é algo tão desconcertantemente paradoxal que se não o referir custar-me-ia mais dores biliares do que as que já tenho: como é que num filme topo de tecnologia, com efeitos especiais elefantinos, o realizador ainda não tenha aprendido o que é um tripé?
É de pasmar como é que Abrams filma quase tudo e quase todo com a câmara à mão: reminiscências do neo – realismo? Cinema – guerrilha de quem não tem um tusto? Definição daquilo que é um autor “moderno”?
Nenhuma das perguntas são válidas, porque, sou o primeiro a admitir, roçam a idiotice.
Mas a idiotice não começa em mim: começa no realizador, quando iniciou o projecto, que nem pensou em outras perguntas, para não ter de se pensar nestas.
Acredito que muitas pessoas aderirão a este tipo de cinema, mas pergunto muito candidamente: que tipo de cinema? O da ilegibilidade? O cinema dos cortes em detrimento de um qualquer resquício de encenação? O cinema do realizador que, na cabeça, pensa em segundos de imagem e não no seu significado?
“Star Trek”, para além de um argumento macaqueado para dar a Nimoy o cameo da ordem e a doçura da confirmação de uma história espertalhufa, que vangloria os seus argumentistas com uma aura de intocáveis num universo tão pouco tocante, prova duas coisas: primeiro, que é possível fazer-se, mesmo assim, um filme visível (por dois motivos aos que já me debruçarei) com uma péssima realização (meu querido e kitsch Robert Wise…) a martelar o seu caminho por entre aquilo que antes eram cenas e hoje parecem máquinas de lavar roupa e, em segundo lugar, confirma, muito simplesmente, J.J. Abrams como um dos piores cineastas que por aí andam.
Aspectos positivos: Chris Pine e Zachary Quinto, dois jovens actores desconhecidos, que demonstram capacidade e competência para os papéis que desempenham, o que não deixa de se saudar.
Até porque é bom ver jovens adultos que parecem saídos de uma série de televisão à la “Morangos com Açúcar” trabalharem arduamente as suas dicções, posturas de corpo e, mesmo, maneirismos dos que os antecederam.
Uma boa lição num filme e num tempo (televisivo, sobretudo) tão desprovido de saber entender que os estereótipos não servem apenas para confirmar algo de básico no interior de histórias ressequidas, mas para nos fazer despertar aspectos mais gratificantes em cada um de nós.
Que Pine e Quinto tenham enxergado isso, em detrimento de Abrams, não é de admirar: é a resposta reticente a uma surpresa que já não merece ser interrogada.
Bruno Monteiro
Quando passava na SIC Radical, Star Trek parecia uma grande "seca".
Não sou fã da Star Trek, mas a verdade é que este filme como nova introdução ao franchise está razoável.
É acção do princípio ao fim, sem nos deixar muito tempo para pensar.
Só não percebi donde começa o romance do Spock com a Nyota. Esse é um ponto mal explicado.
De resto não está mal, venham mais.
Ricardo Neves
STAR TREK O INÍCIO
Sem estar a perder muito tempo a falar na história de Star Trek, pois grande parte dos leitores já assistiram ao filme, vale a pena é destacar o facto do roteiro, embora simples, funciona quase com perfeição. Em resumo, o vilão Nero e o Spock original, desempenhado por Leonard Nimoy, voltam no tempo por acidente, 126 anos antes. Nero chega primeiro e, durante um ataque à primeira nave da Federação que aparece, a USS Kelvin, o seu capitão é morto e o primeiro oficial, George Kirk, assume o comando pelo tempo suficiente para evacuar a nave e salvar os sobreviventes, dentre eles sua esposa no momento do parto do seu filho, James T. Kirk. George morre. A partir desse momento a linha do tempo é alterada e surge uma realidade alternativa, preservando o que já aconteceu nos filmes anteriores, mas estabelecendo essa nova realidade alternativa, o que abre o leque para novas interessantes possibilidades futuras.
O filme, após essa introdução inicial, passa a intercalar a infância de Kirk e Spock e como ambos optaram por ingressar na Frota Estelar. Lá o filme apresenta aos poucos os demais personagens (McCoy, Uhura, Sulu, Checov e Scotty) e como se unem durante a primeira viagem da Enterprise, para combater o vilão Nero e salvar o planeta Terra.
J.J. Abrams acertou e bem na direcção rápida, mantendo o filme ágil e divertido durante seus 126 minutos, que passam num piscar de olhos, sem cansar. A melhor descrição é de uma montanha russa de emoções. Tudo isso sem perder de foco os personagens, justamente a “alma” da Série Clássica.
A química entre os actores funciona bem e é evidente na tela que todos estão usufruir muito os papéis que lhe foram entregues. O famoso triunvirato, Kirk, Spock e McCoy ficou perfeito na interpretação de, respectivamente, Chris Pine, Zachary Quinto e Karl Urban. Kirk é o personagem principal do filme e, em função disso, Chris Pine está praticamente em todas as cenas. O grande macete é mostrar, de forma verosímil, como Kirk, um jovem desajustado do interior dos EUA, resolve se alistar na Frota Estelar apôs um sermão do capitão Pike (um grande momento do filme) e, após três anos, se mostrar um líder nato, pró-activo, como o antigo Kirk que conhecemos. É o crescimento interior desse personagem que alicerça o filme. Ao final, Pine personifica a figura do capitão da Enterprise, sem emular os trejeitos do William Shatner. Ponto positivo. Quinto está óptimo como Spock, mas longe daquela postura de nobreza que Leonard Nimoy conseguiu impor ao personagem. As comparações são inevitáveis ainda mais porque o próprio Nimoy está no filme, interpretando o Spock já idoso, e sua presença é majestosa. Karl Urban é um assombro como McCoy. É o único que efectivamente emula o actor original que interpretou o mesmo personagem, DeForest Kelley. A perfeição é incrível, principalmente porque não se trata de uma simples cópia de actuação, mas sim uma homenagem digna de aplausos. Os demais actores que interpretam Uhura, Chekov, Sulu, Scotty estão óptimos e, ainda que não se pareçam fisicamente com os actores originais, conseguem atribuir a necessária caracterização para torná-los mais reais, mais humanos, mas perder as qualidades que conhecemos e adoramos nesses personagens. Eric Bana é o actor menos aproveitado. Interpreta o vilão Nero, que busca vingança pela destruição, no futuro, do seu planeta natal, Romulus. O problema é que Nero tem apenas umas quatro ou cinco cenas e o roteiro preocupa-se mais em estabelecer o seu papel vingativo do que as suas motivações. Em uma cena de flashback é explicado rapidamente porque busca vingança, mas é tudo muito apressado e sem a exposição necessária. É um vilão que serve ao propósito do filme, mas poderia ser muito melhor.
Quanto à produção do filme, é espectacular. Os efeitos especiais são excelentes. A única ressalva nesse ponto é a própria Enterprise. O novo design da nave e de sua nova ponte de comando. Tudo muito moderno e com alguns itens reminiscentes da Série Clássica. Mas faltou capricho nas demais áreas. A engenharia, por exemplo não possui um desenho muito bem definido e tem visual muito poluído (cheio de tanques, encanamentos, tubulações etc), o que contradiz o aspecto mais “clean” de outras secções da nave. Também falta de algumas tomadas espaciais a mais da Enterprise. Não tanto como fizeram no primeiro filme para o cinema (Jornada nas Estrelas: O Filme, de 1979), mas um meio termo seria apropriado.
O realizador, J.J. Abrams, entregou um produto divertido, e com um certo conteúdo que o diferencia de outros filmes-pipoca mais recentes. Nunca podemos exigir que o novo Star Trek fosse espectacular, mas pelo menos que fosse fiel às suas raízes. pois o filme tem pontos positivos o que não é justo criticar em demasia. São 126 minutos de emoção e aventura, que prende não só o fã como o público em geral.
Ricardo Neves ღ
JM
A meu ver, um filme com bons efeitos especiais mas com uma história pouco convincente serve apenas para nos fazer gastar dinheiro.
Decididamente, não é o que acontece com este filme.
O enredo é interessante; as personagens são convincentes; a banda sonora é curiosa; os efeitos especiais estão fantásticos e existem cenas simplesmente soberbas.
A não perder!!!
Laura Caçoeiro
Nunca tinha visto, um filme da saga Star Trek, nem nunca fui muito interessada nela. Mas vi imagens do filme e pareceu ser interessante. E posso dizer que o foi. Teve acção, boas personagens, efeitos especiais e uma história envolvente.
Fernando Oliveira
Uma pena.
Depois de ter lido as primeiras opiniões criticas sobre o filme, pensei que seria mais um exemplo de como numa lógica de produção controlada é possível criar um filme que é, ao mesmo tempo, um produto de entretenimento e um acto de criação do seu autor: o realizador. Ora a J.J. Abrams pediram que devolvesse a saga aos velhos fãs, e ao mesmo tempo lhe acrescentasse a modernidade necessária a cativar as novas gerações. Nós, que gostamos de cinema, pedíamos-lhe que utilizasse a criatividade que conhecemos das séries televisivas “Alias” e “Lost”. Mas não, apenas confirma que “Missão: impossível III” não foi um deslize: sendo um imaginativo criador de histórias é um realizador limitado, incapaz de lidar convenientemente com os materiais que tem em mãos.
É verdade que o material original, as séries televisivas e os vários filmes que foram feitos a contar as missões da nave Enterprise, nunca foram verdadeiramente muito interessantes, mas para alguém com outras capacidades isso nunca seria um verdadeiro problema. Mas não, o filme falha em vários aspectos…
Senão vejamos, este é um filme de ficção a que também se chama de cientifica, e esta palavra tem um significado, convém portanto evitar alguns erros que me parecem grosseiros. Exemplos: hipoteticamente a convergência do presente e do futuro num mesmo momento resulta em alguns paradoxos, que no filme, são mal resolvidos e ainda mais mal explicados. Outro exemplo: então uma gota de matéria vermelha é suficiente para implodir um planeta num buraco negro, e a reacção de toda a enorme esfera da mesma matéria junto à Terra não destruiria, pelo menos, todo o Sistema Solar? Não me parece que a explosão dos núcleos da nave conseguissem criar uma contra reacção suficiente…
Mas estes pormenores perderiam significância se o filme transmitisse aquela magia que todos nós queremos que nos envolva quando vamos a uma sala de cinema. Mas não, neste reinício da saga “Star trek” tudo é demasiado desinteressante, muitas vezes a roçar o ridículo, com personagens que não cativam, com pouca atenção aos pormenores (queriam inovar, mas então a mulheres, militares numa nave de combate, usam como farda um vestido curtíssimo; podia ser aceitável nos anos 60 ou 70, mas hoje?). Todas estas coisas conjugadas, tornam tudo muito pouco emocinante, com J.J. Abrams a não ser capaz de dar ao cinema de “ficção-cientifica / space opera” um filme que realmente fosse marcante.
Para quem se quer divertir, duas horas razoavelmente bem passadas. Para quem gosta de cinema, uma desilusão.
Fernando Oliveira
Nuno Russo
Em relação aos buracos negros, o que quero focar é que, no filme, alguns destroem "coisas" enquanto que outros permitem dar saltos no tempo. Mas pronto, não vale a pena fazer chover no molhado. :-)
Compreendo que a história se centre na tripulação da Enterprise e que haja vilões de forma a haver um enredo, mas talvez estes pudessem ser melhor trabalhados no contexto do filme, à semelhança do que, aparentemente, acontece na BD.
Pedro Almeida
Diz Nuno Russo:
"Concordo com a opinião do colega Pedro Almeida de que o vilão de serviço - um quase irreconhecível Eric Bana - acabou relegado para segundo plano e de que as suas motivações para querer destruir tudo o que lhe aparece à frente são algo forçadas."
Não é tanto forçado mas sim omisso. O problema é que isto tudo foi desenvolvido numa banda-desenhada que explica os acontecimentos que levam até ao inicio do filme. Acho injusto que as pessoas tenham que ler uma banda-desenhada para ficar com a ideia geral. Mesmo assim, o filme dá o essencial das motivações, mas não torna o personagem memorável. Em parte compreendo porque o filme é todo sobre a criação da tripulação, das suas relações, mas não deixa de ser lamentável.
"Também gostaria que me explicassem como é que alguns buracos negros sugam planetas e naves ao passo que outros permitem viajar no tempo."
Uma das teorias que se fala em relação às viagens no tempo lida precisamente com buracos negros. Nunca foi é provado, como é óbvio, eheh. Bem, mas no fundo o que um buraco negro acaba por fazer no universo do filme é precisamente isso tudo.
David Santos
Ficção à moda antiga. Bem ritmado, cheio de acção. Bons efeitos especiais. Talvez o melhor da serie.
Nuno Russo
Eis que nos chega às salas de cinema o 11º filme da saga Star Trek, onde nos são contados os eventos que conduziram à constituição da tripulação da famosa nave estelar "Enterprise". J.J. Abrams (por esta altura já toda a gente sabe quem é este senhor) deitou mãos à obra para nos oferecer um filme bastante interessante, que não destoa demasiado dos trabalhos anteriores do realizador. Apesar de haver algumas inconsistências no filme, e como já foi dito, assistirmos a demasiadas coincidências (porquê toda aquela sucessão de encontros no planeta gelado, como se o universo não fosse mais do que uma aldeia?), as personagens e respectivas motivações são analisadas de modo credível e cativante. Os efeitos especiais são excelentes.
Toda a parte do filme passada na Terra que se centra sobre a juventude e adolescência de James Kirk resvala um pouco para o típico filme de adolescentes com sessões de porrada, flirts ao virar da esquina e grandes cargas de adrenalina, coisa que não estamos propriamente à espera num filme da saga Star Trek. Felizmente o que vem a seguir salva o filme deste rótulo. Em relação aos actores, saliento Zachary Quinto como a escolha perfeita para encarnar a personagem de Mr. Spock. O vilão da série “Heroes” consegue dar credibilidade à personagem sem tentar, a meu ver, mimetizar o trabalho do veterano Leonard Nimoy (que também aparece no filme). De igual modo destaco o actor Anton Yelchin no papel de Chekov, que proporciona alguns momentos de humor com o seu peculiar sotaque russo.
Concordo com a opinião do colega Pedro Almeida de que o vilão de serviço - um quase irreconhecível Eric Bana - acabou relegado para segundo plano e de que as suas motivações para querer destruir tudo o que lhe aparece à frente são algo forçadas. Também gostaria que me explicassem como é que alguns buracos negros sugam planetas e naves ao passo que outros permitem viajar no tempo. Mas enfim, não estamos no domínio da ciência e sim no da ficção científica e o que posso dizer, em jeito de conclusão, é que me diverti bastante a ver o filme. Venham os próximos.
Pedro Almeida
Lembro-me de um programa onde pediam às pessoas, à saída dos cinemas, para comentarem sobre os filmes que acabavam de ver. Um deles tratava-se de um filme de ficção-científica e entre os que foram sendo desafiados para testar a sua capacidade crítica, um sobressaiu com um criticismo fora do vulgar: não tinha gostado do filme porque... era de ficção-cientifica.
De certa forma, alguma da crítica portuguesa parece rever-se neste exemplo. Acaba-se muitas vezes não por criticar o filme por aquilo que é, mas por aquilo que se esperava que fosse. Também não ajuda o facto de se notar por vezes uma certa tacanhez de espírito (quantas vezes já não passei aqui, por exemplo, e vejo spoilers em algumas das críticas menos favoráveis a certos filmes) e uma rigidez em simplesmente deixar-se levar. O que não inviabiliza a óbvia subjectividade de cada opinião, boa ou má. O defeito parece-me estar sim nos pormenores.
E isto a propósito do novo "Star Trek", da autoria do visionário da TV, J.J. Abrams. Não lhe invejo a posição em que se colocou quando assumiu as rédeas de revitalizar o universo futurista de Star Trek: o último filme, se não foi um dos piores, foi sem dúvida o que mais fracassou na bilheteira e ainda no seu domínio mais familiar, a televisão, "Enterprise" era cancelada após 4 temporadas. Isto precisava de sangue novo, obviamente. O pior seria encontrar um equilíbrio sem alienar o público afecto a este universo e o público mais generalista. E a forma como o jovem realizador o consegue é de elogiar. Consegue honrar não só o legado deste universo como dar-lhe um novo começo, abrindo as suas portas a um público mais vasto (que foi sempre um dos problemas das consequentes encarnações de Star Trek, cada vez mais hermeticamente fechadas em si e nos seus).
Primeiro que tudo, o elenco. Imaculado. Todos os novos substitutos estão à altura (Zachary Quinto como Spock destaca-se) como conseguem mesmo superar os seus antecessores. E aqui tenho que destacar aquele que para mim foi a maior surpresa do filme: Chris Pine. Há por aí muita crítica perdida de amores com o Leonard McCoy de Karl Urban, que apesar de assentar que nem uma luva no papel de DeForest Kelley, por vezes cola-se em demasia aos seus maneirismos, mas o Kirk de Pine é um retrato magnífico: toda a mística gabada ao personagem, mas que raras vezes brilhava na representação de William Shatner (no máximo conseguia ter um certo charme descarado) é completamente destilada por Pine. Vi nele aquilo que sempre esperava do personagem. E todos os restantes têm a sua hipótese de brilhar em momentos chave: Zoe Saldana (outra que supera a sua antecessora) destaca-se ao dotar a sua Uhura de maior conteúdo dramático do que era habitual e os outros (John Cho, Simon Pegg e Anton Yelchin - digam o que disserem, finalmente dotou Chekov de um sotaque que parece mesmo russo, ainda que cedendo à particular característica empregue por Walter Koenig) fazem valer a sua presença, ainda que secundarizados. E é sempre bom voltar a ver um velho conhecido que apesar dos anos a mais que carrega em cima, não perdeu nenhum do brilho que o tornava memorável.
"This isn´t your father´s Star Trek". Sim, e com razão. Adapta-se um pouco às sensibilidades contemporâneas (veja-se a introdução dos personagens, por exemplo) mas mesmo assim, nunca perde de vista aquilo que sempre caracterizou as aventuras da equipa original: as relações entre os seus elementos. Todo o filme centra-se na criação de laços entre a tripulação. De todos os filmes é aquele que mais se centra nas suas personagens e toda a trama emana daí. Claro, os efeitos especiais são vistosos e finalmente um filme "Star Trek" consegue parecer mais do que um episódio alargado com orçamento de luxo e a montagem é algo frenética, mas o coração do filme está no entrosamento do elenco e o à vontade com que vestem personagens, dotando-os das suas características naturais mas, principalmente, dando-lhes também um cunho pessoal. E deve-se isto ao próprio J.J. Abrams que apesar dos grandes conceitos das suas séries, mantém-se sempre investido nos seus actores (veja-se Alias e Lost, por exemplo, que revelam grandes momentos de exploração de personagens).
Nem tudo é perfeito, claro, mas creio que o bom ultrapassa em grande medida o menos bom (não consigo ver nada realmente terrível neste filme). Uma vez que a história se centra na formação da tripulação e nos seus relacionamentos, acaba-se por relegar para um plano muito secundário o vilão de serviço. Eric Bana consegue trabalhar com o pouco que tem, mas não deixa de ser um papel muito diminuído. Não se exploram convenientemente as suas motivações (algo que, lamentavelmente, foi relegado apenas para a prequela em BD "Star Trek: Countdown", que fala dos acontecimentos antecedentes ao filme) e acaba por se tornar um vilão rotineiro. A história podia estar mais trabalhada e, como já li em outros lados, em certas alturas, abusa um pouco das coincidências. E para um filme de 126 minutos, parece algo comprimido em determinadas partes.
Não é de certo um filme original, mas é sem dúvida um filme feito com o coração no lugar certo. Para os que se queixam da falta do sentido de aventura, enraizada na sci-fi pulp que caracterizava a série original, muito certamente o proximo filme corresponderá a isso, pois já se liberta um pouco do clima de (re)introdução. Mas até lá, esta velha nova exploração da dinâmica de um dos grupos de personagens mais conhecidos de sempre, veio para conquistar.
Pode ainda faltar obra a J.J. Abrams, mas nada oculta a ambição visionária de um dos talentos mais promissores. Que se sigam muitos mais.
Artur Silva
Com muitos dólares de orçamento, o sobrestimado JJ Abrams concebeu este Star Trek em versão muito livre, obviamente inspirada em Regresso ao Futuro/Lost e noutras séries dos anos 60... onde estão as ideias originais e que nos façam pensar verdadeiramente? A crítica norte-americana foi conquistada, o mesmo já não se pode dizer da portuguesa.
Rui C
Um filmezito para teens, que nem começa mal, mas rapidamente cai na banalidade, limitando-se a repetir clichés.
Chris Pine, actor limitado, também não ajuda.
Sérgio Santos
A CRITICA CONTEM SPOILERS
Antes de mais, quero frisar que não sou fã desta saga, mas tinha, obrigatoriamente de ir ver este 11º filme da saga (“Star Trek”). Quanto aos outros filmes da saga vou-vos deixar já a seguir a lista deles. “Star Trek : The Motion Picture” (1979), “Star Trek : The Wrath Of Khan” (1982), “Star Trek : The Search Of Spock” (1984), “Star Trek : The Voyage Home” (1986), “Star Trek : The Final Frontier” (1989), “Star Trek : The Undiscovered Country” (1991), “Star Trek : Generations” (1991), “Star Trek : First Contact” (1996), “Star Trek : Insurrection” (1998), “Star Trek : Nemesis” (2002) e “Star Trek” (2009). O excelente actor, Leonard Nimoy, entrou em quase todos os filmes desta saga especial, e entrou também neste 11º filme da saga. Creio que o último filme em que ele tinha entrado foi no filme “Star Trek : The Undiscovered Country”, de 1991. Outro actor também ele, exemplar e pertencente a este universo, é o actor Patrick Stewart. Este também entrou em alguns filmes da saga, os últimos, para ser mais preciso. É muito fácil nos recordarmos dele, basta para isso olharmos para os posters e postais e outros coleccionáveis dos últimos filmes da saga. Se bem, que eu associo este brilhante actor aos filmes da saga “X Men”.
Este novo e espectacular filme, não tem nada de parecido com os outros dez da saga. Os outros são ligeiramente teatrais, não quero com isto dar a entender que são fracos ou maus, nada disso, quero somente frisar que são filmes com pouca acção, bom, o que eu quero dizer com isto é que, são filmes que se baseavam muito nas crónicas da equipa da nave. Este novo filme da saga tem muito mais espectacularidade e acção, tem mais efeitos especiais e está, mesmo, sem exageros, está realmente espectacular. Como tem sucedido na maioria dos filmes, ditos, blockbusters, é uma película que perde muito da sua grandiosidade, visto no pequeno ecrã. É um filme grandioso que, para tirar-mos o maior partido dele, temos que, como é obvio, vê-lo, não em casa, mas no cinema e de preferência, em modo digital. O novo filme, “Star Trek”, é realizado por J. J. Abrams e trazido pela mesma firma que nos trouxe o espectacular e único, “Cloverfield”, um dos melhores filmes do ano de 2008, ou seja, do ano passado. Temos, como já frisei, anteriormente, o actor veterano, Leonard Nimoy como Spock. Mas o filme mostra como tudo começou, mostra a infância e adolescência, principio da idade adulta e idade adulta, de Spock, interpretado por Zachary Quinto (em adulto) e por Jacob Kogan (em criança). O filme tem excelentes interpretações.
Depois, temos nomes como Chris Pine (James Kirk), Eric Bana (Nero), Bruce Greenwood (Christopher Pike), Karl Urban (Dr. Leonard McCoy), Zoe Saldana (Nyota Uhura), Simon Pegg (Scotty), John Cho (Hikaru Sulu), Ben Cross (Sarek), Winona Ryder (Amanda) ou Rachel Nichols (Gaila). É neste filme, que também, testemunhamos o nascimento da grandiosa nave que alojou a tripulação durante tantos anos e tantas aventuras, a famosa Enterprise. Conheço pessoas, que gostam mais da saga “Star Wars” do que da saga “Star Trek”. E conheço pessoas que gostam mais da saga “Star Trek” do que da saga “Star Wars”. Conheço aqueles que gostam das duas e conheço outros ainda que não gostam deste tipo de filmes. Em resumo, este novo “Star Trek”, é um novíssimo filme da saga, um filme que serve para criar novos admiradores, para arranjar novos seguidores, falo, claramente, da camada jovem, que não conhece os primeiros filmes da saga. Trata-se de um filme que mostra a juventude de toda a tripulação do primeiro filme (o de 1979), mostra como é que eles entraram para a equipa, como é que a nave Enterprise foi construída, mostra o nascer dos sonhos deles todos. É um filme repleto de excelentes efeitos especiais e visuais, cheio de acção, adrenalina, acção, explosões, romance, piadas à americana, sequencias magistrais, perseguições espaciais, naves extraordinárias, monstros, lutas e muita energia, transformando-se assim, numa verdadeira delicia para os olhos. Recomendo o filme a toda a gente, que aprecie muita acção e que gosto de boas aventuras espaciais. É entertenimento garantido, é acção espectacular e é um filme que possui efeitos especiais impressionantes e espectaculares. Vão ver o filme e admiram-no, é, na minha opinião, um dos melhores filmes jamais feitos e já entrou para a minha grande lista de filmes preferidos.
PS: Quero dizer que já vi o trailer número 4 do filme “Harry Potter And The Half Blood Prince” e, meus amigos cinéfilos, está verdadeiramente espectacular. Vai ser o filme onde o amor entre Ginny e Harry vai finalmente desabrochar. É, sem sombra de dúvidas, o filme mais esperado do ano. Pena é que já podia ter estreado em novembro do ano passado, mas foi adiado para meados de julho deste ano, é indecente. Mas, quem espera, sempre alcança. Para quem não sabe, o último filme da saga (“Harry Potter And The Deathly Hallows”), vai ser desdobrado em dois filmes (“Harry Potter And The Deathly Hallows : Part I” e “Harry Potter And The Deathly Hallows : Part II”), o porquê não sei, mas vai ser assim, vai ser como aconteceu com os dois últimos filmes da saga “Matrix”, vão estrear com 6 meses de diferença, em 2010. Faltam somente dois meses e meio para estrear o sexto filme desta fantástica saga. Os filmes que eu quero ver este ano, quer seja no cinema, quer seja, em dvd, são: 1 – “Harry Potter And The Half Blood Prince”; 2 – “Orphan”; 3 – “Phoebe In Wonderland”; 4 – “The Secret Of Moonacre”; 5 – “Gardens Of The Night”; 6 – “Wendy And Lucy”; 7 – “Avatar”; 8 – “Splice”; 9 – “Transformers : Revenge Of The Fallen”; 10 – “2012”. Fiquem bem e bom cinema.
JORGE PINTO (Cinema2000)
Esta magistral reinvenção do universo de Gene Roddenberry por J.J. Abrams (realizador), Roberto Orci e Alex Kurtzman (argumentistas) é uma aposta ganha. Levando a mitologia para novas galáxias sem perderem o rumo às convenções que definem Star Trek, eles apagam para recomeçar de novo, regressando ao passado para redefinir os icónicos viajantes espaciais. O mote narrativo aplica-se à natureza da produção, à vida e a morte, à destruição de vidas e de mundos, resultando um processo de reconstrução.
Para quem estava cansado das séries e dos filmes em torno deste franchising, prepare-se para ser convertido a este universo com um argumento sofisticado. A viagem temporal, aliada à viagem espacial, permite criar momentos de acção em larga escala com dimensões dignas de um ecrã IMAX, em que o espectador é teleportado para uma nova dimensão de entretenimento. Os personagens são fruto de um casting milimétrico, em simetria uns com os outros e face ao legado passado. Algumas nuances podem abalar os trekies mas «Star Trek» é claramente um filme renovado, calibrado de energia, que coloca a audiência a par das estrelas. A dinâmica dos personagens é bem conseguida, embora o vilão do filme, Nero (Eric Bana), pareça subaproveitado, servindo mais de meio para criar o investimento entre os dois personagens-chave da nave Enterprise, destinados a serem os melhores amigos interplanetários: Kirk (Chris Pine) e Spock (Zachary Quinto, a melhor interpretação do filme). Não podiam ser mais diferentes: o carola e o génio, a imprevisibilidade versus a lógica, ambos transportam o sacrifício dos pais falecidos. Neste enredo têm contas a ajustar no seio de um universo visualmente extraordinário. A estes juntam-se os parceiros do costume: um jovem Pavel Chekov, engraçado com a sua intensa salada de sílabas, Sulu e a sua espada (o mais próximo que Star Trek tem de um guerreiro Jedi), Uhura, o centro das atenções amorosas e habilitada com uma língua talentosa, e Bones, médico hipocondríaco, entre muitas outras surpresas, incluindo o divertido Scotty (seja qual for a sua dimensão, está sempre stressado), bem interpretado por Simon Pegg.
Não existem no filme cenas ao acaso. Os pequenos detalhes e as profundezas da iconografia são exploradas e aproveitadas minuciosamente por Abrams. Neste convite para o nascimento de uma saga, o filme vai audaciosamente onde nunca ninguém foi. Vive-se intensamente a experiência entre a complexidade dos efeitos e a simplicidade da narrativa, sem o perigo de cair num buraco negro. Esta produção resulta de um esforço de equipa formada em ambos lados da câmara e é inegável que o filme segue um novo caminho. Os criadores aplicam a mesma fórmula com que redesenham semanalmente as novas fronteiras da televisão e não param de surpreender com a sua lógica de entretenimento, a sofisticação de enredos e investimentos credíveis nos personagens, no passado com «Alias – A Vingadora» e no presente com «Lost» e «Fringe». Com «Star Trek» o futuro começa agora.